Grupo Ponto de Partida apresentará espetáculo de Natal em Arcos
Ponto de Partida é uma das maiores companhias de teatro do Brasil, em atividade há 45 anos, viajando pelo Brasil e exterior
A população de Arcos pode se preparar para assistir a um espetáculo que promete emocionar, encantar, alegrar e despertar o imaginário do público. Será no próximo dia 14, às 20h, na praça Floriano Peixoto.
O grupo Ponto de Partida, de Barbacena, vai apresentar O Cortejo de Reis, que está em cartaz desde 1998 e já foi assistido por mais de 160 mil pessoas.
Nesta semana, o CCO entrevistou Fátima Jorge, que é a produtora, assessora de imprensa e coordenadora geral do grupo, do qual participa há 40 anos.
É uma das companhias teatrais de maior destaque em nível nacional e também já se apresentou em outros países.
Os integrantes montaram 43 peças ao longo dessas décadas. Continuam produzindo e viajando para as pequenas e grandes cidades. Com exceção do Piauí, por falta de oportunidade, estiveram em todos os estados.
Sobre a apresentação agendada em Arcos, Fátima Jorge relata que é um cortejo com tema “Natal Brasileiro”, que mantém a tradição do reisado [também conhecido como Folia de Reis, em menção aos reis magos que visitaram o Menino Jesus no nascimento]. Um Natal alegre e colorido, com música de qualidade, danças ao som de instrumentos de sopro, caixas e outros.
Crédito da foto: Vinícius Terror
O grupo também apresenta melodias natalinas de diversas partes do mundo, surpreendendo pela originalidade.
O espetáculo resulta de uma parceria entre a Prefeitura de Arcos – Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo e o patrocínio da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).
Pesquisa, formação e originalidade atraíram os olhares dos grandes centros para o teatro de Barbacena, no interior de Minas
Ponto de Partida foi fundado em 1980 em Barbacena, município localizado na região central de Minas, com aproximadamente 125 mil habitantes.
O grupo está completando 45 anos de atividades ininterruptas. “Já viajamos parta a Europa; apresentamos em Paris, Portugal, Bélgica, Alemanha. Também estivemos em Montevidel (Uruguai) e na África”, comenta a produtora e coordenadora Fátima Jorge.
Uma das peças de maior destaque do Ponto de Partida foi Beco - A Ópera do Lixo. “Foi o espetáculo que nos levou para fora do Brasil, para viagens internacionais”. Ela relatou a participação do músico Gilvan de Oliveira (violonista), que fez os arranjos. “Arranjos maravilhosos! Fez muito sucesso!”. O espetáculo contava a história de uma senhora idosa que amava os musicais de Hollywood.
Quando fundaram o grupo, os pioneiros não queriam sair de Barbacena. Permaneceriam na cidade mineira, mas o grupo e a obra ganhariam o mundo, indo e voltando.
Para isso, investiram em pesquisa e formação, sempre buscando originalidade. Não queriam copiar outros grupos de sucesso. “Queríamos falar da história do nosso povo, da nossa gente, do povo brasileiro, na nossa língua. Queríamos montar autores brasileiros e pesquisar textos próprios”. Montaram obras de Guimarães Rosa, Adélia Prado, Jorge Amado, dentre outros, e tiveram produção autoral.
O diferencial que fez o grupo ganhar o mundo
“Acredito que estudar, pesquisar e procurar uma metodologia própria para o Ponto de Partida fez com que o nosso trabalho fosse reconhecido. Não queríamos copiar o que acontece nos grandes centros. Pra ser original, tem que estudar! Mudamos um pouco o olhar das pessoas. A gente sempre tem o olhar voltado para os grandes centros. Fizemos com que os grandes centros voltassem o olhar pra cá [Barbacena]. Trouxemos pessoas para nos formar”.
Segundo Fátima, conseguiram se formar com grandes nomes da cultura brasileira: Fernanda Montenegro, Sérgio Brito, Cacá Carvalho, Jorginho de Carvalho e outros. “Trazíamos esse pessoal pra cá [Barbacena]. Eles traziam os espetáculos deles, a gente enchia duas casas com 500 pessoas e eles davam oficinas pra gente. Formação sempre foi uma grande busca, uma grande preocupação do Ponto de Partida”.
Esse trabalho é contínuo, inclusive com pesquisa de linguagem e expressão corporal. “Acho que foi por aí que conseguimos conquistar o respeito e a admiração das pessoas”.
Eles vivem do teatro
Atualmente, o Ponto de Partida é constituído por 20 pessoas, entre atores, produtores e pessoal da área administrativa. Fátima Jorge conta que todos desenvolvem múltiplas funções dentro da companhia, como, por exemplo, captação, formatação de projetos, divulgação, mas é um grupo profissional. “Vivemos do nosso trabalho, não temos outras fontes de renda”.
O Ponto de Partida está envolvido em outros projetos. A Universidade de Música Popular (@bituca) tem mais de 160 alunos e 12 mestres. Ela também menciona o projeto “Meninos de Araçuaí”, que existe há mais de 25 anos junto com a ONG Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento. “Com o projeto deles, com esse coral, já gravamos com Milton Nascimento (CD, DVD) e fomos para Paris”.
O grupo Ponto de Partida também contribui com a geração de renda quando contrata técnicos, engenheiro de som, montador, carregador, vigias.
É cultura de verdade, cumprindo seu papel de expressar a arte com autenticidade, talento, beleza, inundando o imaginário do público com uma diversidade de sentimentos que aquecem a vida.
