Independência financeira para mulheres vítimas de violência doméstica em Arcos

Lideranças de Arcos (foto) estão unidas com o propósito de ajudar essas mulheres a conquistarem autonomia

10/09/2025 - 17:14
10/09/2025 - 17:35
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Independência financeira para mulheres vítimas de violência doméstica em Arcos
Vereadora Jaiane Soares e representantes do IFMG, OAB, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e MP querem colaborar
Independência financeira para mulheres vítimas de violência doméstica em Arcos

A vereadora Jaiane Soares tem dedicado pautas em apoio às mulheres em geral e também às vítimas de violência doméstica.


Assim como Jaiane, a advogada Isabela Raimundo (foto abaixo) também está atenta a essa necessidade de mais ações para auxiliar essas mulheres.

Em abril deste ano, em conversa informal com a advogada Patrícia Nicodemus, de Camboriú (Santa Catarina), Drª Isabela teve conhecimento de um projeto realizado pela subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) naquele município. Ao considerar que a proposta poderia ser concretizada em Arcos, relatou à vereadora Jaiane.

O projeto consiste em orientar vítimas de violência doméstica sobre seus direitos e oportunidades para a busca de autonomia financeira e demais assistências nos contextos em que as vítimas dependem dos maridos ou companheiros agressores para sobreviverem e cuidarem dos filhos.

Primero passo em Arcos

A primeira reunião com a finalidade de implantação do projeto em Arcos foi realizada na tarde dessa terça-feira, 9, na sala multimídia da unidade do IFMG em Arcos.A direção do IFMG está oferecendo espaço físico e apoio, inclusive com a possível oferta de cursos de capacitação, futuramente, para mulheres vítimas de violência doméstica. Assim, terão mais oportunidades no mercado de trabalho.

Durante a reunião, foi informado que o Corpo de Bombeiros também poderá oferecer cursos de Brigada, para que possam exercer essa função em eventos. 

Participação da subseção da OAB em Arcos

Em Camboriú, os advogados que aderem ao projeto prestam os esclarecimentos para as vítimas na própria delegacia.  

A presidente da OAB em Arcos, Fabiana Guimarães, esteve presente à reunião no IFMG. Ela disse que irá esclarecer as dúvidas e tomar as providências necessárias, a fim de seja publicado um Edital para a seleção de advogados dativos (remunerados) que possam prestar o serviço sem que haja custo para as mulheres vítimas de violência.

Apoio da delegada de Arcos



A delegada Hionara Pimentel, presente à reunião, disse que a Polícia Civil de Arcos irá apoiar o projeto porque percebe essa necessidade de maior auxílio a essas mulheres. “Às vezes a mulher dá o primeiro passo, mas não tem o acolhimento posterior para sair desse ciclo [...]. Se essa mulher não se sente amparada, ela vai voltar [...]”.

Outro fato constatado pela delegada é quanto à necessidade de melhorar a rede de proteção a essas mulheres.  “Estou como delegada de Arcos há quase dois anos e sinto que embora a gente tenha esses números tão expressivos [leia no final da matéria], a rede aqui ainda é muito enfraquecida. Tivemos uma audiência pública em 2023, quando foi debatido, mas efetivamente não vemos grandes avanços”, afirmou.

A promotora Juliana Vieira também comentou sobre a necessidade de mais psicólogos e assistentes sociais nas unidades locais do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e do CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), considerando que esses equipamentos fazem parte da rede de proteção e assistência às famílias em situação de vulnerabilidade por diversos motivos – incluindo violência doméstica.

A reunião foi encerrada com o compromisso de um novo encontro dentro de 30 dias, para que se dê andamento ao projeto.

Poder público e iniciativa privada

É importante considerar que uma mulher vítima de violência pode precisar de assistência psicológica, assistência social, orientações sobre seus direitos, creche para os filhos, emprego e moradia, dentre outros auxílios. Muitas vezes elas não conseguem pagar aluguel. Portanto, o apoio do poder público e da iniciativa privada são essenciais para que busquem autonomia.  

Números da violência doméstica em Arcos

Neste ano de 2025, até 31 de julho, 127 mulheres – moradoras de Arcos – solicitaram medidas protetivas.

Em todo o ano de 2024 foram feitas 213 solicitações; e em 2023, 153. Quanto às ocorrências de violência doméstica registradas pela Polícia Civil, também em Arcos, foram 92 de janeiro a 31 de julho de 2025, 131 em 2024 e 156 em 2023.

Já a Polícia Militar registrou 355 ocorrências do tipo, neste ano de 2025 até 31 de julho, somadas as de visitas tranquilizadoras.

Em 2024 foram 434 ocorrências, somadas as de visitas tranquilizadoras; e em 2023, 500 ocorrências, também somadas as de visitas tranquilizadoras.

Portanto, os números são crescentes, demonstrando a real necessidade de conscientização.

Esses dados foram enviados à vereadora Jaiane Soares, que fez a divulgação na Câmara.

Leia também:https://www.jornalcco.com.br/geovana-arcoense-e-uma-sobrevivente-de-violencia-domestica