Mais de 600 cirurgias (SUS) já foram realizadas na Santa Casa de Arcos neste ano

Para aumentar esse número, o hospital precisa de mais salas cirúrgicas e mais cirurgiões

Mais de 600 cirurgias (SUS) já foram realizadas na Santa Casa de Arcos neste ano

A Santa Casa de Arcos está realizando cirurgias gerais e ortopédicas, inclusive com o incentivo do programa “Opera Mais”, do Estado de Minas Gerais, desde 2022.

Veja, na tabela abaixo, a evolução nos números. Estão especificadas as cirurgias pelo SUS, referente à Saúde Complementar e particulares

Na última quarta-feira, 27 de agosto, o gerente administrativo e financeiro da Santa Casa, Carlos Magno, relatou ao CCO  que neste ano de 2025 já realizaram 660 cirurgias pelo SUS. Veja o detalhamento:

2025 (janeiro a 27 de agosto – cirurgias pelo SUS):

256 Cirurgias Gerais
149 Cirurgias de Ortopedia
30 Cirurgias Vasculares
191 Cirurgias Ginecológicas e Obstetrícia
19 Cirurgias Otorrino
15 Cirurgias de Oftalmologia

A tendência, segundo Carlos Magno, é finalizar 2025 com 992 procedimentos cirúrgicos do SUS, um aumento de 14,41% em relação ao ano anterior.

Ao considerar que o programa foi implantado há menos de três anos completos na Santa Casa de Arcos e que o mesmo considera os números de procedimentos realizados anteriormente, ou seja, quanto maior o número anterior, maior o investimento, Carlos Magno demostra otimismo com o número atual. 

Em visita a Arcos na última segunda-feira, 25 de agosto, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, comentou sobre a necessidade de expansão dessas cirurgias pelo “Opera Mais”. 

O que impede esse aumento? Carlos Magno diz que uma das dificuldades, que não é recente, é atrair médicos e cirurgiões. “A Santa Casa sempre teve dificuldade de atrair médicos. Isso é uma realidade. Ficou muitos anos com déficit financeiro, ficava devendo os médicos muitas vezes. Tinha dificuldade de trazer anestesista, pediatra e algumas especialidades”.

Outra necessidade é a construção de mais salas cirúrgicas, uma vez que parte da área do novo bloco cirúrgico foi destinada ao CTI, desde a época da pandemia.

Sobre a dificuldade em atrair cirurgiões, aos poucos, isso está sendo superado, segundo Carlos Magno. Ele menciona que a oferta de cirurgias de otorrinolaringologia e vasculares, por exemplo, são mais recentes.


Veja como funciona o ‘Opera Mais’ e por que são realizadas mais cirurgias em Lagoa da Prata

O “Opera Mais” investe nos hospitais que têm capacidade para realizar cirurgias. Como já mencionado, quanto maior o número de cirurgias realizadas no hospital anteriormente, maior o investimento recebido. Segundo Carlos Magno, é por isso que Lagoa da Prata está recebendo um valor maior e, portanto, consegue realizar mais cirurgias. “Lagoa da Prata identificou essa oportunidade anos atrás”, explicou, lembrando que 2022 foi o primeiro ano do ‘Opera Mais’ em Arcos.

A implantação do programa consiste em um adiantamento financeiro, levando em conta a série histórica, ou seja, o que foi produzido no passado. “A Santa Casa tinha tão pouca resolutividade, que o primeiro adiantamento que ela recebeu foi de 1800 reais, aproximadamente”, informou.

Essa remuneração é feita a cada quatro meses (são apurados os quatro meses e o pagamento é feito no quinto ou sexto mês). No último quadrimestre, a Santa recebeu, do programa, quase R$ 180 mil de produção e um bônus superior a R$ 100 mil. “Houve evolução, mas é gradativo. [...] Não vai conseguir ‘da noite para o dia’”.

Provedor fala sobre a “vocação” da Santa Casa

Na última segunda-feira, o secretário de Estado de Saúde comentou que a Santa Casa de Arcos precisa descobrir sua vocação.

O atual provedor, Ivan Fontes, disse que hoje a Santa Casa realiza atendimentos diversos, mas, de fato, não tem uma especialidade, uma referência. “Estamos trabalhando para isso”.

O gestor Carlos Magno completou dizendo que o foco maior era em obstetrícia e ginecologia. Atualmente, há uma tentativa para mudar isso. Está havendo uma negociação referente a urologia, porque existe uma demanda reprimida no Município. “Mas se não tiver um investimento, a gente não consegue. [...] Uma cirurgia é R$ 6 mil. A tabela do SUS não remunera adequadamente, como em qualquer outra especialidade”.

Referindo-se ao ‘Opera Mais’, Carlos ressalta que é necessária uma produção durante quatro meses para apurar, ou seja, o pagamento é feito depois. “Os médicos não vão operar e esperar quatro meses para receber. Isso é um dificultador, além da necessidade de mais salas cirúrgicas”.

Hoje o bloco funciona com três salas, sendo duas eletivas e uma de urgência. Por isso a necessidade de ampliação.

Investimento da Prefeitura

A parte estrutural das novas salas de cirurgia, orçada no ano passado, ficaria em 750 mil. O ex-prefeito havia se comprometido em subsidiar a obra, mas devido ao tempo decorrido até que o projeto fosse aprovado na Câmara e encaminhado ao Executivo, esbarrando-se no período eleitoral, isso não foi possível. O mesmo ocorreu em relação à nova maternidade.

Na atual gestão, o prefeito Wellington Roque disse à direção da Santa Casa que pretende dar sequência e realizar o investimento, no entanto, isso não é possível neste ano. A alegação é a falta de previsão orçamentária.  A expectativa é que a previsão seja feita para 2026.

Alternativa para o aumento do número de cirurgias e outras necessidades da Santa Casa

Ivan Fontes comenta que para aproveitar mais as salas que já estão montadas, uma alternativa seria realizar os procedimentos aos sábados, domingos e feriados, mas se esbarram na dificuldade de atrair profissionais. 

“Minha prioridade hoje é a reforma da enfermaria”, salientou, demonstrando atenção ao fato de que a Santa Casa é o único hospital de Arcos adequado para internações e realização de partos, oferecendo toda a estrutura necessária para o conforto dos pacientes.

Carlos Magno também enfatiza o alto índice da taxa de ocupação, superior a 75% atualmente (maior em comparação a hospitais de algumas cidades da microrregião). “Neste mês, excepcionalmente, internamos mais gente pelo SUS do que temos direito contratualizado. Muitas vezes a gente interna pacientes do SUS em apartamento de convênio”.

O gestor diz que, com essa atitude, o provedor Ivan Fontes demonstra que está alinhado à questão da responsabilidade social do hospital. “Entendo a parte social, que é importante, mas a gente perde a receita”. Ele completa dizendo que os recursos dos convênios são úteis para ajudar a cobrir o déficit do SUS.

Para os pacientes do SUS serem recebidos na Santa Casa, eles devem ser encaminhados do Hospital Municipal São José

É importante que a população entenda que a Santa Casa é um hospital particular, conveniado ao SUS e atendendo a outros convênios, mas não é uma “porta aberta” para o SUS. Os pacientes devem ir, inicialmente, ao Hospital Municipal São José. Em caso de necessidade de encaminhamento, será feito a partir do “São José”.

Carlos Magno lembra que, legalmente, os pacientes não podem ficar mais de 24 horas no “São José”, sendo necessário encaminhá-los para a Santa Casa. Nesse sentido, comenta o gestor, é importante que haja um certo controle no número de cirurgias realizadas, para que não faltem leitos para os pacientes clínicos.