Moradores do Jardim Bela Vista em Arcos estão inseguros com a presença de usuários de drogas
A PM afirma que a maior parte dessas pessoas já foram presas, mas pela fragilidade das leis, estão nas ruas e voltaram a praticar delitos; a mesma situação é vista em dezenas de bairros de Arcos
Moradores do bairro Jardim Bela Vista em Arcos estão inseguros diante da constante movimentação de usuários de drogas, inclusive na passarela que leva ao bairro Juca Dias, localidade que tem iluminação fraca.
O CCO esteve no local na tarde dessa segunda-feira (3 de novembro) e foi informado que esses dependentes químicos ficam transitando pelas ruas, dia e noite, acompanhando a rotina dos moradores.
Em certos pontos da rua Francisco Alves e de outras ruas do bairro, pessoas em atitudes suspeitas são vistas embaixo de árvores e em outros lugares com pouca iluminação. Por se tratar, aparentemente, de pessoas que estão sob efeitos de entorpecentes, a comunidade está se isolando dentro de casa, principalmente os idosos. Quando precisam sair, ficam com medo. Também relatam a ocorrência de furtos.
Terreno de esquina tomado pelo lixo
Ao atravessar a passarela em direção ao bairro Juca Dias, uma imagem lamentável para o Município de Arcos e sua população: um terreno de esquina está tomado por lixo. Além da poluição visual, há, ainda, o risco de acúmulo de água da chuva e proliferação do mosquito Aedes aegypti. Segundo relatos feitos ao CCO, trata-se de um ponto de encontro de usuários de drogas.
A presença de um colchão amarrado em cima da brita e várias roupas dentro de um caixote sinalizam que alguém está “morando” ali, mas não havia ninguém quando o CCO esteve lá. Não se pode afirmar que o suposto morador seja usuário de droga, mas, de qualquer forma, precisa de ajuda para deixar essa condição de vulnerabilidade.
Outra necessidade é flagrar os traficantes e prendê-los.
Reivindicações da comunidade
Moradores solicitam recolhimento do lixo, iluminação adequada naquela região e sinalização proibindo o tráfego de motocicletas na passarela, o que é frequente e representa risco para ciclistas e pedestres.
Não há nenhuma placa proibindo esse tráfego. Caberia à Prefeitura providenciar a fixação da mesma.
Moradores também solicitam maior frequência de ronda policial.
PM afirma que o mesmo problema existe em dezenas de bairros em Arcos, inclusive pelafragilidade das leis
Em contato com a Assessoria de Comunicação Organizacional da Polícia Militar em Arcos, sargento Jonas Costa informou ao CCO, na tarde de ontem (03/11), que a PM tem conhecimento dessa situação e que, na semana passada, enviou uma Nota à Rádio Vida. Ele encaminhou a mesma Nota ao CCO. Leia abaixo:
Com relação às queixas sobre vários problemas ocorridos no entorno da passarela próxima à Rua Francisco Alves, no bairro Jardim Bela Vista, temos alguns pontos a esclarecer.
Primeiramente, só a câmera de ‘Olho Vivo’ existente lá não resolve o problema, visto que o local é frequentado, sabidamente, por usuários de álcool e drogas. Essa condição, por sua vez, motiva a incidência de crimes de furto, agressões e tráfico de entorpecentes. A Polícia Militar está ciente da situação, mas infelizmente não temos estrutura de efetivo policial para deixar uma viatura naqueles arredores permanentemente. Diversas abordagens são feitas naquelas imediações quase todos os dias, mas quando os militares verificam a situação dos abordados e não há nada contra eles (pendências judiciais), automaticamente eles são liberados.
Observa-se que a maior parte dessas pessoas são reincidentes no crime, ou seja, já foram presas, mas pela fragilidade das leis, estão nas ruas e voltaram a praticar delitos.
Esse problema não é somente no bairro Jardim Bela Vista. Também está presente em dezenas de outros pontos da cidade. Mesmo assim, sabedores da situação, o desafio da Polícia Militar de “fazer mais com menos” persiste. Não iremos desanimar de defender o cidadão de bem, mesmo com todas as dificuldades. Quem quiser desafiar as leis, que se proponha a arcar com as consequências de suas escolhas.
Pedimos aos moradores que presenciarem qualquer tipo de delito nos arredores da passarela ou em outro local, que nos forneça as informações em tempo real através do 190, que é o contato para emergências policiais.
No mais, estamos à disposição para qualquer esclarecimento.
Manifestação do secretário municipal de Obras e Serviços Públicos
O CCO fez o relato ao secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Rodolfo Dalariva, que ainda ontem se manifestou. Sobre o lixo acumulado, respondeu que iria repassar para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente providenciar a retirada. Acrescentou que é necessário verificar de quem é o terreno, para que seja feita a notificação e emissão da multa.
Quanto aos problemas de iluminação, informou que já receberam a mesma denúncia. Diante disso, solicitou à chefe de Gabinete para entrar em contato com a pessoa e verificar quais postes estão com lâmpadas queimadas, considerando que as substituições são feitas sob demanda. O secretário pede que, em casos de queima de lâmpadas, os moradores das proximidades devem informar a referência do número da residência mais próxima e fazer a marcação com uma fita ou sacola, por exemplo, para facilitar a identificação no momento da troca.
No que se refere à passarela, disse que na próxima semana solicitará aos eletricistas para verificarem quais os pontos estão sem iluminação.
Para acrescentar postes, é necessário elaborar um projeto que precisa ser aprovado junto à Cemig.
Em referência à potência das lâmpadas, que os moradores consideram fraca, o Secretário ficou de verificar qual está sendo utilizada.
Sobre a placa solicitada, é preciso aguardar a licitação referente à sinalização do Município, para que sejam adquiridas todas as placas que devem ser colocadas em outros pontos no Município.
Atualização
Na manhã desta terça-feira, 4 de outubro, o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos relatou ao CCO que o pessoal da limpeza já começou a retirar o lixo, porém, apenas na rua. Quanto ao terreno, ele disse que será necessário identificar a pessoa que está “morando” lá. Irá acionar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Integração Social para que seja feita a busca ativa, seja verificada “a real situação e tomem as providências necessárias”.
Essa atitude é importante, porque, aparentemente, se alguém de fato está “morando” ali, está em evidente situação de vulnerabilidade e precisa de assistência social para o devido encaminhamento para tratamento (se for o caso), inserção no mercado de trabalho e conquista de moradia digna.





