Tomar água das ‘minas’ de Arcos é seguro?
Em 2017, análises da Copasa evidenciaram contaminações por fezes humanas e por bactéria em minas nos bairros Calcita, São Judas e São Pedro
Análises da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) feitas em 2017 “revelaram contaminações por fezes humanas e presença da bactéria E. Coli em ‘minas’ nos bairros São Pedro, Calcita e São Judas”, em Arcos, de acordo com informações do Ministério Público (MP).
O CCO teve acesso a essa informação recentemente, motivo pelo qual enviamos um questionário à Assessoria de Comunicação da Copasa, em busca dos resultados de outras análises feitas posteriormente.
No entanto, quanto às nascentes dos bairros São Pedro, Calcita e São Judas, a Companhia respondeu que não se tem registros de análises nesses locais nos últimos anos, ou seja, depois de 2017, quando essas minas estavam contaminadas.
Nascente da avenida Dr. Moacir Dias de Carvalho
O CCO também teve acesso a um laudo de análise feita em amostra de água da mina da avenida Dr. Moacir Dias de Carvalho em 06/07/2017, onde também foram encontrados coliformes totais.
De acordo com informação da Copasa, o último de registro de análise dessa mina é de 2022 e apresentou resultado negativo para coliformes.
Já são aproximadamente três anos sem análise.
Mina da rua Bom Pastor, no bairro Bom Retiro, apresentou resultado positivo para coliformes em 2022
Em análise feita dia 22/08/17 na mina da rua Bom Pastor, também foram encontrados coliformes totais. O último de registro de análise é de 2022 e apresentou resultado positivo para coliformes, de acordo com informação da Copasa.
As águas de todas essas minas citadas são próprias para consumo? As pessoas podem beber água dessas minas? Ou seria indicado algum tipo de "tratamento", mesmo que caseiro?
O CCO perguntou e a Assessoria de Comunicação da Copasa fez o seguinte alerta:
A Copasa não recomenda o consumo de fontes desconhecidas, cuja água não foi submetida a tratamento seguindo as diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde. A Companhia reitera que contaminações podem ter diversas origens, desde as naturais àquelas que resultam da ação humana, de forma intencional ou acidental. Portanto, o monitoramento da qualidade da água e o tratamento adequado são fundamentais para o consumo de uma água de qualidade pela população. A Copasa não recomenda nenhum tipo de tratamento para águas sem o devido conhecimento de suas características.
Cloro e calcário
Algumas pessoas se dizem intolerantes ao cloro usado para tratamento da água da Copasa e também mencionam resquícios de calcário na água (principalmente na região de Arcos e Pains), o que seria uma das causas de problemas nos rins.
Essas seriam algumas motivações para optar pelas águas das minas, principalmente a da avenida Dr. Moacir Dias de Carvalho e a do bairro Bom Retiro.
Quais os argumentos para evidenciar que a água tratada pela Copasa é mais segura para beber? Veja a resposta da Copasa:
As águas fornecidas pela Copasa à população de Arcos passam por um rigoroso processo de tratamento e um intenso monitoramento da qualidade. O processo se inicia com a análises da água bruta, análises durante o processo de tratamento, após o tratamento e durante sua distribuição à população. São analisadas mais de 100 substâncias que podem estar presentes na água e todos os dias são realizadas em torno de 30 análises pela equipe local.
Com relação à presença de calcário na água, todas as amostras analisadas ao longo de anos apresentam resultados abaixo dos limites estipulados pelo Ministério da Saúde.
O cloro é dosado seguindo o padrão estabelecido pelo Ministério da Saúde é e um fator de segurança para o consumo da água, pois ele inibe o desenvolvimento de agentes microbiológicos que causam doenças, garantindo a qualidade da água até o momento do consumo. Lembramos que as contaminações podem vir de diversas fontes e até mesmo do uso de recipientes inadequados e sujos para o armazenamento da água.
Por fim, a Copasa garante a qualidade da água produzida em Arcos e tranquiliza a população quanto ao seu consumo.
Quando o CCO tiver conhecimento de novas análises das águas dessas minas, daremos sequência ao tema.
