Empreendedor 2017

Dona Tereza Balbina mantém o hábito da leitura aos 84 anos

‘Depois que aprendi a ler [...], graças a Deus eu consegui me libertar. Agora nada me apavora, nada me amedronta, não tenho medo de nada [...]’

Publicada em: 28 de setembro de 2017 às 13h11
Memória
Dona Tereza Balbina mantém o hábito da leitura aos 84 anos

Dona Tereza não gosta de TV e nem de rádio. Dedica-se inteiramente à leitura

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 21/09/2017) - Edição 1914

A aposentada Tereza Balbina Teixeira, arcoense, viúva de José Soares Teixeira (Jésus Mantina), com quem foi casada por 60 anos, aprendeu a ler e escrever sem frequentar a escola. Há cinco anos, ela dedica boa parte de seus dias à leitura de diferentes estilos de livros. Os 84 anos de idade não são uma barreira para esse hábito que expande a mente e torna os dias de Dona Tereza mais felizes.  

Os cuidados e o carinho que recebe dos filhos, netos e bisneto também são essenciais na vida dela. Os filhos são: José Francisco Teixeira, Luiz Carlos Teixeira, Ricardo Aparecido Teixeira, Isabel Cristina Teixeira, Elizena Maria Teixeira e Cláudio Rodrigo da Silva. Atualmente são 12 netos e um bisneto.

Em entrevista ao Jornal CCO, dona Tereza Balbina contou que foi criada na roça. Aos15 anos perdeu a mãe e desde então passou a cuidar dos irmãos, realizando as tarefas domésticas. Não frequentou a escola, porque, segundo ela, naquela época era muito difícil. Estudou por quatro meses em casa, tendo aulas com um professor chamado “Anibra”, contratado pelo pai dela.

Casou-se aos 22 anos e continuou morando na roça por mais 13 anos. Depois disso, a família veio morar na cidade. Foi nessa fase que ela sofreu muito com a perda dos filhos. Um neto e o marido também faleceram. Dona Tereza é uma mulher de fé, e diz que Deus deu a ela muita força para passar por esses momentos.

Com o incentivo dos filhos e netos, aperfeiçoou o conhecimento adquirido com o professor Anibra e com o tempo foi melhorando a leitura e a escrita. Segundo ela, os livros abriram sua mente para a vida. Foi também esse hábito que a ajudou a se libertar de sofrimentos. “Comecei a ler tem uns cinco anos. A leitura foi abrindo a minha mente, porque eu era uma pessoa muito ignorante, muito explosiva. Qualquer coisa eu queria levar tudo ‘no peito’. Depois que eu aprendi a ler, eu fui pondo tudo na cabeça e graças a Deus eu consegui me libertar. Agora nada me apavora, nada me amedronta, não tenho medo de nada, até as preocupações acabaram um pouco”, comenta.

Dona Tereza não gosta de TV e nem de rádio. Dedica-se inteiramente à leitura. Lê no mínimo um livro por semana. A neta dela, Paula Teixeira, disse ao CCO que a família geralmente pega livros emprestados. “A família inteira pega livro emprestado de quem a gente conhece e traz pra ela. A gente traz cinco ou seis livros de uma vez e em duas ou três semanas ela lê todos”, comenta.

Dona Tereza gosta de livros de qualquer segmento. Ela diz que em todos se aprende algo. Mas a preferência é pela área de psicologia. Uma de suas autoras preferidas é Zíbia Gasparetto, que escreve livros espiritualistas.
Quando não tem livro diferente em casa, ela lê novamente os que estão disponíveis. “A Cabana”, por exemplo, ela leu três vezes, sendo esse um dos que ela mais apreciou, porém, de todos os que já leu, disse ter dois preferidos: “Jesus, o maior mestre de todos” e “Jesus, o maior psicólogo”.

Além do prazer pelos livros, dona Tereza gosta de viajar. Já foi seis vezes ao Paraguai, em Trindade (Goiás), Aparecida (São Paulo) e Caldas Novas, também em Goiás, que é seu lugar preferido, para onde costuma ir duas vezes ao ano. “A gente tem que trabalhar, tem que fazer as obrigações da gente, mas também temos que ter um lazer”, aconselha.

Ao final da entrevista, dona Tereza Balbina disse que após se dedicar à leitura, passou a ver todas as coisas no mundo de um jeito diferente, e que Deus a ajudou muito nessa caminhada. Por isso ela quer que sua história sirva de exemplo para muitas pessoas. “O meu maior desejo é que minha história sirva de inspiração e exemplo para pessoas que sofrem pela perda de um filho ou algum problema de saúde. Deus sempre vai amparar os filhos Dele e dar força para a gente vencer qualquer situação”, afirma.