Mérito Empresarial

Arbitragem é uma profissão ingrata 

Publicado em: 26 de março de 2018 às 08h57
Coluna Esporte

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 24/03/2018) - Edição 1941

Marlon Santos

ALÔ, ARCOS! Acompanho o futebol amador de Arcos e região desde o ano 1997, sempre contando capítulos de uma história que insiste em acontecer. Foram diversos campeonatos que divulguei. Muitos tiveram finais felizes. Outros tiveram finais “trágicos”. Obviamente, não podemos considerar o futebol como “a coisa mais importante da vida”; isso é uma ignorância que tem que ser repensada. Devemos considerar o futebol como uma forma de  diversão. É uma disputa que dentro das quatro linhas sempre terá um vencedor, e o derrotado vai reclamar de tudo e de todos. Mas entre tantas pessoas envolvidas no futebol, podemos afirmar que o árbitro é um desses personagens que, de forma anônima, costuma ser a figura central, pois é do seu apito que se decide um jogo. No interior, a realidade do árbitro é muito cruel, afinal, trabalha por míseros trocados e deixa seu aconchego do lar para conduzir uma partida de futebol. Algo inexplicável! O camarada sai de casa com o objetivo de administrar o ego de 22 jogadores dentro das quatro linhas;  também tem o torcedor apaixonado, que em momentos de fúria tem o ímpeto aflorado e tenta prejudicar a arbitragem.

Imagino  que o árbitro, quando entra em campo, deve imaginar que tudo vai ocorrer da melhor forma possível, e que irá agradar a todos os presentes dentro do estádio. Porém, em sua maioria, os embates terminam recheados de reclamações, quando não se tem agressões físicas. No interior, os estádios são deficitários em se tratando de segurança para a arbitragem. Os condutores dos jogos vivem tensos e tentam conduzir uma partida de futebol da melhor forma possível. Claro que  a paixão deixa o torcedor praticamente enlouquecido e o mesmo tem reações adversas. Isto mesmo! O torcedor que fica na arquibancada se acha no direito de tudo, e com isso extrapola em suas manifestações, algo que poderia ser moderado. Dentro das quatro linhas pode acontecer de tudo, e mesmo assim teremos um culpado;  esse culpado sempre terá um nome: árbitro de futebol.

 

Condições precárias

Sempre estive presente na cobertura de campeonatos de futebol de campo em Arcos e região. De perto acompanhei as condições precárias que a arbitragem tem para trabalhar em um jogo. Nos últimos anos a cidade de Arcos tem sido uma referência do futebol amador para toda a região. Porém, os árbitros trabalham em sua maioria sem contar com a presença de seguranças para lhes proteger dos ânimos exaltados dos torcedores. Convivi com agressões covardes aos árbitros, e essas agressões deixaram marcas físicas e psicológicas em alguns membros da arbitragem. No ano passado realizei a cobertura do campeonato municipal da cidade de Lagoa da Prata, para um jornal local, e observei que os árbitros contavam com total segurança dentro e fora das quatro linhas. O municipal de futebol de campo de Lagoa da Prata é organizado pela Secretaria de Desportos, que é conduzida brilhantemente pelo radialista Vilmar Pereira. Na final do municipal de Lagoa da Prata tinha a presença da Polícia Militar, Guarda Municipal e de seguranças particulares. Em um passado não muito distante, o municipal de Lagoa da Prata servia de chacota para a região. Com um trabalho de reestruturação da atual Secretaria de Desportos, conseguiu recuperar o prestígio.

Coluna Esporte por Marlon Santos

E-mail: marlonsantos@jornalcco.com.br