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Diabetes e plantas medicinais

Publicado em: 04 de setembro de 2017 às 08h42
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 02/09/2017) - Edição 1911

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Com o aumento crescente dos casos de diabetes em crianças e adultos, tem havido um grande interesse em pesquisas de alternativas de tratamento. A utilização de plantas, dado seu potencial e baixo custo, tem ganhado a atenção de vários centros de pesquisa. De fato, muitos dos medicamentos que hoje dispomos para tratar diversas doenças foram descobertos a partir do estudo de plantas usadas nas medicinas indígena e popular.

Inúmeras plantas têm sido apontadas como promissoras no tratamento do diabetes. Os estudos científicos envolvendo plantas são demorados porque a substância medicinal da planta precisa ser primeiro isolada; depois precisa ser estudado como essa substância age no corpo controlando o diabetes, quais os possíveis efeitos colaterais, dose necessária, etc. Como isso leva tempo, na maioria das vezes os usuários recorrem à sabedoria popular ou terapeutas naturais, utilizando partes específicas das plantas.



Quais plantas têm respaldo científico?

São muitas as plantas utilizadas na medicina popular. Infelizmente, ainda são poucos os estudos científicos comprovando seus benefícios.

As plantas mais citadas nas principais pesquisas são: Eucaliptus globulus (eucalipto), Syzygium jambolanum (jambolão); Bidens pilosa (picão); Salvia officinalis  (sálvia); Urtica spp. (urtigas); Allium sativum (alho); Phyllanthus niruri (quebra-pedra); Baccharis trimera (carqueja); Anacardium occidentale (cajueiro) e Bauhinia forficata (pata-de-vaca).



Como devem ser utilizadas?

Cada uma dessas plantas tem peculiaridades para serem utilizadas. Em alguns casos serão utilizados apenas as folhas, em outras toda a planta desde a raiz. Algumas precisam ser utilizadas frescas, outras precisam passar por processo de secagem. A maioria pode ser utilizada como chás, mas algumas devem ser usadas como farelos ou farinhas junto com outros alimentos. Portanto, há a necessidade de orientação quanto a forma de preparo, quantidade a ser ingerida, horário para ser tomado, como ocorre com qualquer outro tipo de medicamento.

Uma grande preocupação é que existem muitas plantas parecidas e que acabam sendo confundidas com aquelas realmente medicinais. Existem também algumas subespécies de plantas, com o mesmo nome popular, porém algumas são medicinais e outras venenosas.

Portanto, na dúvida, não se deve arriscar e utilizar essas plantas de qualquer jeito. Não é raro pessoas pararem no pronto-socorro com intoxicação por uso indevido de plantas.

Pacientes diabéticos que tomam medicamentos podem utilizar plantas medicinais desde que não interrompam o tratamento que já estão fazendo. Suspender a medicação usual sem orientação médica para utilizar plantas medicinais pode colocar a saúde em sério risco.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468