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Estresse e ganho de peso

Publicado em: 04 de novembro de 2019 às 09h35
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 26/10/2019) - Edição 2024

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Há muito tempo se sabe da influência de altos níveis de estresse sobre o peso. Dependendo da predisposição da pessoa, estresse exagerado pode provocar tanto ganho quanto perda de peso. Nas últimas décadas, no mundo todo tem-se verificado aumento dos casos de obesidade. Certamente grande parte se deve aos maus hábitos alimentares e sedentarismo, consequência das facilidades do mundo moderno e altamente tecnológico. No entanto, mesmo entre pessoas com hábitos adequados de vida verifica-se aumento dos casos de sobrepeso e obesidade. Nesses casos, afastados problemas hormonais e certas doenças, o único fator presente em todos os pacientes é o alto nível de estresse.

 

 

 

Afinal, o que é estresse?

Corresponde a toda situação que exige muito de nós, podendo ser físico ou emocional. Frente a desafios no dia a dia, nosso corpo libera os chamados HORMÔNIOS DO ESTRESSE (cortisol, adrenalina, catecolaminas, neuropeptideo-Y, CRH, dentre outros). Esses hormônios preparam nosso corpo e mente para reagirem em situações de pressão, acelerando o coração, aumentando nossa concentração, força muscular, reflexos e ativando nosso sistema imunológico. É, portanto, uma reação que nos ajuda a sobreviver. Precisamos entender que estresse, até certo ponto, pode ser benéfico. O estresse nos deixa alertas para solucionar problemas, trabalhar, estudar e ativa todo o funcionamento de nosso corpo. O problema é quando o estresse fica muito intenso ou prolongado a ponto de não termos mais controle sobre ele.

 

Como o estresse leva Ao ganho de peso?

Pessoas submetidas a estresse emocional crônico ou a estresse físico intenso (trabalho noturno prolongado sem folgas, alimentação deficiente em nutrientes e jejum prolongado, por exemplo) apresentam uma descarga anormal dos hormônios de estresse no sangue. Níveis altos de cortisol favorecem o acúmulo de gordura na região do abdome, aumento de glicose no sangue e da pressão arterial. Altos níveis de neuropeptideo-Y aumentam a fome, favorecendo a compulsão alimentar. Esses hormônios do estresse impedem ainda que outros hormônios desempenhem bem suas funções. Por exemplo, impedem o funcionamento da insulina (levando ao surgimento de problemas ovarianos, esteatose e diabetes) e atrapalham o funcionamento da leptina (hormônio que induz saciedade e acelera o metabolismo).

 

 

Como reduzir os efeitos do estresse no ganho de peso?

· Exercícios físicos regulares, tentando acumular ao longo de 1 semana pelo menos 200 minutos de atividade física aeróbica. Um personal trainer pode ajudar a montar um programa mais completo, associando musculação e alongamento para um melhor desempenho. Exercícios físicos aumentam a liberação de serotonina e opioides, substâncias que no sistema nervoso ajudam a controlar a ansiedade e estresse.

· Tentar manter o sono em dia, dormindo de 7 a 8 horas por noite. O acúmulo de vários dias de sono ruim pode aumentar a liberação de hormônios do estresse. Evitar estimulo luminoso à noite (celulares, telas de computador), manter uma rotina de horário para dormir e evitar substancias estimulantes (energético, café, chocolate, bebidas alcoólicas, tabagismo) são hábitos que ajudam na maioria dos casos.

· Alimentação balanceada e evitar longos períodos em jejum ajudam no funcionamento do sistema nervoso. Os neurônios são muito sensíveis à falta de nutrientes principalmente de glicose, que costuma ficar baixa com jejuns acima de 4 horas.

· Intercalar com trabalho e estudo intervalos para descanso. Investir em atividades de lazer e não abrir mão de férias periodicamente.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468