Mérito Empresarial

Uma história de fé e de humildade

Parte I

Publicado em: 29 de janeiro de 2018 às 08h35
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 20/01/2018) - Edição 1931

Sebastião Correia da Silva

Há fatos que acontecem e passam, devagar ou depressa, enquanto há outros que ocorrem e ficam para sempre. Sobre alguns fatos, a gente pensa que vão ficar, mas passam logo, caindo no esquecimento tão rápido quanto aconteceram; já há outros que a gente pensa que vão passar logo, como uma tempestade de verão, mas continuam arraigados na memoria de todas as gentes, por longo ou por todo o tempo.  É o caso da inesquecível frase, “Senhor, eu não sou digno”, tema central deste texto. Como muito bem disse o estupendo Malba Tahan: Só tem promessa de eternidade aquilo que resiste ao tempo.

Pois bem! O fato, objeto deste texto, ocorrido há mais de dois mil anos, é um desses que ficaram para sempre na memória das pessoas que tiveram conhecimento e acreditaram nele, e foram passando-o para frente até nos nossos dias.  Tal fato não foi inventado por mim, apenas adaptei-o do original, procurando ser o mais fiel possível a ele, mantendo, porém, os nomes próprios. Narrá-lo-ei com minhas palavras, da melhor forma de que eu for capaz, sem me prender a pequenos detalhes que, por certo, fariam o texto ficar bem mais longo.  Vou conta-lo em duas ou três partes, para a leitura não ficar muito cansativa. Então, vamos a ele:

Pois bem! No início da Era Cristã, havia em Roma um cidadão chamado Aurélio Publius.  Este senhor tinha dois filhos, sendo que o mais velho se chamava Marcus Lucius e o mais novo, Flavius Antoninus.  Entretanto, os dois eram completamente diferentes no modo de ser, embora nascidos do mesmo ventre e criados na mesma casa. Marcus Lucius era muito trabalhador, honesto, mas era muito sisudo, muito fechado até com os conhecidos. Flavius Antoninus, ao contrário, era extrovertido, alegre e brincalhão. Além disso, era poeta, cujos versos agradavam a todos, até ao imperador de então.

Devido à grande diferença entre os dois, o velho pai ficava triste e pensativo sobre o futuro de ambos. Ele pensava que Flavius Antoninus, pelo fato de ser poeta, passaria para a história e nunca seria esquecido, devido aos belos poemas que fazia.  Orgulhoso, o velho pai sempre dizia aos amigos que seu filho Flavius passaria para a história. Enquanto o outro, Marcos Lucius, jamais seria lembrado, porque nada fazia que pudesse chamar a atenção das pessoas, para que elas fossem motivadas a passar para frente os seus feitos. Ledo engano do velho, pois tudo aconteceu de forma bem diferente da que ele pensava.

Deixemos, por enquanto, o poeta Flavius Antoninus, com sua notoriedade e falemos apenas do sisudo Marcus Lucius, com sua mediocridade, que, sem saber o que fazer da vida, resolveu alistar-se nas famosas, respeitadas e temidas legiões romanas. Por ser honesto, disciplinado e valente, logo conseguiu a simpatia de seus superiores, conseguindo assim fazer carreira no exército e, dentro de pouco tempo, ser promovido a centurião. E como centurião foi mandado servir na Palestina, mais precisamente na Judeia que, naquele tempo, era uma possessão de Roma, que estava expandindo o seu império.

Servindo na Judeia, comandando centenas de soldados, Marcos Lucius era cada vez mais respeitado pelos seus comandados, bem como pelo povo judeu que, com toda razão, tinha muita raiva dos romanos, pelo fato de estes estarem invadindo seu território. Porém, como Marcus Lucius era muito justo, prestativo e respeitoso com povo dominado, os judeus o respeitavam, apesar do ódio que nutriam pelos romanos, que ali nada mais eram do que odiosos invasores.  Marcos Lucius chegava a punir seus soldados que desrespeitavam os judeus. Ele não admitia abusos com os dominados.

Como Marcos Lucius morava sozinho, se viu na necessidade de arranjar um servo para administrar sua casa e fazer os serviços necessários do dia a dia.  Poderoso como era, pois ali sua vontade era lei porque ele representava o imperador romano, ele podia escolher o servo que quisesse e coloca-lo a seu serviço. No entanto, preferiu que as coisas acontecessem espontaneamente, sem parecer que estivesse escravizando alguém, o que não era de seu feitio, já que, embora invasor, ele era bondoso e, como tal, não achava justo escravizar ninguém. Continua na próxima semana.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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