Vende-se Apartamento
Metas para 2021

Abandonar o que nos prejudica, melhorar nosso comportamento e realizar sonhos

“Nosso aperfeiçoamento pessoal será uma obra de paciência. Ela nos abrirá amplamente todas as fontes de felicidade [...]” – pedagogo francês Jules Payot (1859-1940)

Publicada em: 21 de novembro de 2020 às 08h00
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Entrevistas

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 13/11/2020) - Edição 2077

Entrevista e Redação: Jornalista Rita Miranda

 

Quando o ano chega ao fim, recomeçamos as reflexões sobre nossa condição atual e o que queremos no futuro. Geralmente nos deparamos com a realidade de não termos atingido as metas traçadas no final do ano anterior.

Diante desse cenário, vem a sensação de arrependimento pela falta de atitude, uma vez que, para termos realizado muitos de nossos “desejos”, precisávamos apenas ter nos dedicado. Se queríamos, por exemplo, praticar atividade física, desenvolver o hábito da leitura, fazer uma dieta ou conseguir um emprego (ou outra fonte de renda), bastariam as ações proativas em busca dessas conquistas.

Mas, afinal, por que é tão difícil mudar os hábitos e se esforçar para concretizar o que está em nossa mente? Se o desejo já existe dentro de nós, assim como a motivação, como trabalhar nossa disposição (nosso ânimo), para colocar em prática as ações que irão nos permitir atingir as metas?

Para abordar esse tema, o CCO entrevistou a coach Cristiane Romano, que também é fonoaudióloga, doutora em Oratória (pela USP) e palestrante. Ela diz que o primeiro passo é descobrir o que se deseja de fato. “Muitas pessoas ‘acham’ que querem algo, e na verdade pode ser que elas estejam seguindo algum padrão da sociedade ou de alguém. Com isso, começam a confundir-se. ‘Será que é isso que eu realmente desejo?’ Quando não sabemos fielmente o que queremos, ‘qualquer caminho serve’, mas não serve mentalmente. Nossa mente entende: ‘para que eu devo fazer isto’. Um exemplo: quando você for pegar uma estrada para viajar, você já precisa ter bem definido seu destino. Foi definido que eu quero ir ao Rio de Janeiro; os motivos: lá tem praias lindas, tem o Cristo Redentor (existiu um propósito). Faça o contrário, ou seja, entre no carro sem saber seu destino. Você vai ficar paralisado, não saberá o que fazer. O primeiro passo para a disposição é saber o porquê”.

 

E quando os desejos são: abandonar vícios e demais práticas prejudiciais? (Parar de usar drogas, parar de praticar crimes, deixar de ser preguiçoso etc). Como trabalhar a “vontade”, que é abstrata, para que ela se concretize?

Dra. Cristiane Romano orienta: “Você deve fazer algumas perguntas a si. Por exemplo: ‘O que ganharei ao parar de usar drogas?’ Mais uma vez, é preciso trabalhar os motivos que fazem que eu realize uma ação. Ao parar de usar drogas, a pessoa terá ganhos e são estes que devem ser os motivadores”.

Para quem quer deixar de ser preguiçoso, uma das perguntas a fazer é a seguinte: “‘Será que terei um retorno financeiro melhor? E com esse retorno financeiro melhor, eu poderei viajar mais, curtir mais a vida?’. Enfim, isso vai ao encontro dos valores da pessoa e o que ela valoriza”.

 

Que caminhos devemos seguir quando nosso desejo é nos tornarmos pessoas melhores e mais úteis? Por exemplo: menos egoístas, mais generosas, pacientes, discretas (no sentido de não falar da vida dos outros e não ficar expondo nossa própria vida) e proativas?

“A atitude mental positiva nos leva a ações incríveis, mas não adianta eu ser positiva (pensar positivo) se eu não realizar ações para ser positiva. O mesmo vale ao julgar pessoas, ao reclamar de outras pessoas, ou até mesmo fazer fofoca. A pessoa precisa entender que essas atitudes positivas a levará a caminhos muito melhores do que ficar perdendo tempo com a vida alheia. Geralmente, pessoas produtivas irão focar seu tempo em suas realizações”.

 

“O importante é ser feliz! Se queremos alcançar nossas metas, devemos seguir em frente, sem nos preocuparmos com os outros”. “Se eu não estou feliz, não vou conseguir fazer os outros felizes”. Essas afirmações devem ser realmente consideradas?

Até que ponto devemos lutar para alcançar nossas metas? Em certos contextos, o correto não seria nos privar de momentos felizes quando o dever nos chama? Afinal, pessoas virtuosas geralmente combatem o egoísmo sendo generosas com quem está precisando (começando pela própria família); priorizam o dever em vez de priorizarem seus próprios desejos e, mesmo assim, conseguem ter uma felicidade plena e sem “peso na consciência”.

Diante desses argumentos, Drª Cristiane Romano responde: “Eu acredito que a felicidade começa por nós mesmos, concordo com essa afirmação. No entanto, vou voltar aos nossos valores. A vida é uma roda. No coaching temos uma ferramenta chamada ‘Roda da Vida’. Ela não é apenas uma esfera, abrange a espera pessoal (emoções, saúde e disposição); a esfera profissional (abrange o financeiro, a contribuição social e o desenvolvimento intelectual); a esfera relacionamento (família, relacionamento amoroso e social) e a esfera da qualidade de vida (lazer, espiritualidade e hobbies). Diante disso, temos o outro e você; tem o você com você; e você com o ambiente. Pensando por esse raciocínio, ser feliz abrange um equilíbrio de nós com os outros e o ambiente em que estamos inseridos. É necessário o equilíbrio dessas áreas. Se você está em um relacionamento amoroso perfeito, mas está infeliz na vida profissional, em algum momento essa infelicidade irá esbarrar no relacionamento amoroso.Lutar pelas nossas metas faz parte do equilíbrio. Faça um teste e se pergunte: Como estou de 0 a 10 em cada uma dessas áreas? Naquela em que você estiver insatisfeita (o) (0), é necessário dar atenção à mesma, para que haja o equilíbrio”.

Diante dessa explanação feita acima pela Drª Cristiane Romano, principalmente sobre a importância do equilíbrio, aqui vale citar os argumentos do pedagogo francês Jules Payot (1859-1940). No livro A Educação da Vontade (Ed. 2018, página 41), ele escreve: “[...] Nosso aperfeiçoamento pessoal será uma obra de paciência [...]. Ela nos abrirá amplamente todas as fontes de felicidade (pois toda felicidade profunda provém de uma atividade bem regrada)”. E mais adiante, na página 42, o autor propõe uma reflexão sobre nossas heranças de egoísmo, preguiça e outros vícios:   “[...] O impecável domínio de si mesmo é inalcançável: pouquíssimos séculos separam-nos dos nossos selvagens ancestrais que moravam em cavernas, para que possamos desembaraçar-nos absolutamente da herança de irascibilidade, de egoísmo, de concupiscência, de preguiça que eles nos legaram. Os grandes santos que venceram nessa luta sem tréguas de nossa natureza humana com nossa natureza animal não conheceram a alegria dos triunfos serenos e incontestes. Mas, observemos novamente, a obra cujas grandes linhas traçamos aqui não é tão difícil quanto a obra de santificação, pois uma coisa é lutar contra a preguiça e as paixões, outra é lutar para extirpar de si, absolutamente, o egoísmo. [...]”.

Portanto, há de se ter vontade (de fato) e trabalhar essa vontade, esforçando-se para conquistar o que deseja.

 

Clientes estão em busca de ascensão profissional e “felicidade”

Em seu trabalho específico como coach, realizando o processo de Coaching de Carreira ou Life Coaching, Drª Cristiane Romano tem os clientes que a procuram com o propósito de atingirem metas. “Muitos querem atingir ascensão na carreira, se desenvolver ou até mesmo adquirir liderança. Outros querem mudar de profissão (por não estarem felizes) e muitos dizem: ‘Eu preciso ser feliz’. Quando é uma meta muito ampla, precisamos desconstruir. O que é felicidade para o cliente? Com isso, é realizado um mapeamento para descobrir. Muitas pessoas nem sabem suas metas, é preciso ajudá-las a encontrar”, relata.

Em seus pacientes na área de fonoaudiologia, ela aplica a ferramenta coaching para trabalhar os comportamentos necessários relacionados à patologia. Ela cita um exemplo: “O paciente de voz geralmente tem uma tensão e estresse, porque nossa voz é extensão da nossa personalidade, e este fato os deixa extremamente preocupados, gerando ansiedade. No coaching, conseguimos realizar um Plano de Ação para melhorar esses comportamentos”.

Ela destaca a importância da psicologia nesses processos. “Sempre encaminho ao psicólogo para complementar o trabalho. Acredito muito no trabalho em equipe para trabalhar o paciente de forma sistêmica”.

 

Livros e filmes para quem está em busca de transformação pessoal

Indicações da Drª. Cristiane Romano: Livros: Você é do tamanho dos seus sonhos - César Souza; Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes - Stephan R. Covey; Mindset: a nova psicologia do sucesso - Carol Dweck; Nunca desista dos seus sonhos - Augusto Cury; Gestão e emoção - Augusto Cury. Filmes: O poder além da vida; Um sonho possível; Mãos talentosas; Desafiando gigantes; Conversando com Deus.