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RECORTES DO TEMPO – HISTÓRIAS DE ARCOS

Aos 88 anos, Manoel de Carvalho fala de sua história e de sua dedicação na política arcoense

Publicada em: 25 de novembro de 2019 às 10h49
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 16/11/2019) - Edição 2027

O amigo de todos, brincalhão, alegre e sempre com espírito de diversão, esse é o Sr. Manoel Ribeiro de Carvalho (Sr. Manoelito), de 88 anos. Um homem que foi muito participativo na vida religiosa, nas festas e bailes carnavalescos e principalmente na política arcoense. Em entrevista a Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO no projeto Recortes do Tempo – Histórias de Arcos, ele falou de sua história e de sua dedicação na política.

Manoel Ribeiro de Carvalho é casado com a Senhora Terezinha Ribeiro de Carvalho, com quem teve seis filhos: Sueli Aparecida de Carvalho, Celso Ribeiro de Carvalho, Gilmar Afonso de Carvalho, Tânia Maria de Carvalho, Helenice Ribeiro de Carvalho e Rosilene Ribeiro de Carvalho. O casal também tem nove netos e três bisnetos.

Ao relembrar de sua história ele conta que estudou até o 4° ano primário, na Escola Estadual Yolanda Jovino Vaz, com as professoras Dona Albertina e Dona Nagibe. Ele também começou a trabalhar desde criança ajudando o pai Benedito Ribeiro de Carvalho. Seu pai trabalhava na cidade de Formiga percorrendo fazendas a pé, para comprar garrafas vazias (cascos) para repor estoque de bebidas. Seu pai também morou em Arcos, na fazenda de Francisco Ribeiro do Vale, onde trabalhou vários anos na coleta de Creme de Leite desnatado. “O soro era para a engorda de suínos e o creme era transportado em cavalos até a fábrica de queijo Santa Matilde, situada na época onde hoje é o Arcos Clube”, relembrou. Manoel se recordou dos principais fornecedores de creme de leite de Arcos e região que o pai transportava: Chiquito Ribeiro, Joãozinho Ribeiro, Artur ribeiro, Dr. João Vaz Sobrinho, Major Valeriano Macedo, José Lopes Macedo, Francisco Gabriel de Carvalho, Chiquito Melo, Tunico Ribeiro e Sr. Alves do município de Pains-MG.

 

Comerciante

Manoel de Carvalho atuou no comércio de Arcos por muitos anos, trabalhando com o apoio de sua família. Seu primeiro comércio foi ao lado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e o segundo em frente à empresa Transcálcio. Lá, sua esposa fazia pratos especiais, como feijoada, marrecada, galinhada e peixada para todos os clientes e empresários que encomendavam, a exemplo de Luiz Lima, Dair Benedicto, Octavio de Moraes, Sérgio Coser, Diretoria da Nestlé e Quimbarra. Manoelito tinha uma grande freguesia de viajantes e funcionários de empresas de Arcos. Segundo ele, era um ambiente muito familiar.

Manoelito também foi proprietário da primeira distribuidora de bebidas de Arcos, a Distribuidora de Bebidas Arcoense. Ele comercializava guaraná, bebidas destiladas e pinga. Também vendia o Kiluxo, o caçulinha e também o primeiro representante da Coca Cola na cidade.

 

Sr. Manoel Ribeiro com seu amigo Tião Vassoura

 

Um homem de muitas amizades – Manoel e sua esposa foram muito participativos nos bailes carnavalescos de Arcos, nas festas juninas e também na vida religiosa. Ele conta que também gostava muito de pescar e que aprontava muito em suas pescarias, e chegava a até se vestir de mulher para animar os companheiros Niclério, Geraldo Cazeca e Paulo Ribeiro.

 

Apaixonado por política

Manoel Ribeiro de Carvalho era um grande motivador e articulador dos comícios, sempre vestindo a camisa de seu candidato. Não ficava em cima do muro e sim manifestava seu total apoio a seus candidatos, e segundo ele, eles sempre foram vitoriosos. “Promovia confraternizações em sua residência para discutir estratégias relacionadas a seu candidato. Na época chegou a fazer inimizades como em toda política. Só que era diferente. Ele trabalhava com o coração, sem esperar nada em troca, é porque a política estava em seu sangue”, disse a filha Sueli, que sempre ia acompanhando seu pai nos comícios, dentro de seu jipe.

Monoelito foi um grande apoiador de Olívio Guimarães de Faria (Zizo), que foi prefeito em Arcos de 1973 a 1977. Segundo Sueli, Zizo era de uma família tradicional de Arcos, os Farias, que era muito conhecida e respeitada. E seu pai era um grande amigo de Zizo antes dele se tornar candidato. “Na época cada candidato tinha uma turma: quem era eleitor do Zizo eram os ‘gravetos’ e quem era do Senhor Lazinho eram as ‘toras’”, comentou.

Seu pai era quem chefiava os gravetos, motivando e articulando os comícios. Segundo Sueli, quando Olívio Guimarães venceu as eleições seu pai ficou muito satisfeito. “Meu pai era amante de política e teve grande emprenho e trabalho para que seu amigo fosse um futuro prefeito. Meu pai sempre foi uma pessoa de personalidade forte, de opinião própria. Então nunca ficava em cima do muro”.