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Augusto Lara (1857 a 1922): Inteligência e dinamismo a favor do Município de Arcos

Publicada em: 20 de julho de 2018 às 10h09
História de Arcos

Crédito: Arquivo da Família

Augusto Lara (1857 a 1922): Inteligência e dinamismo a favor do Município de Arcos

Augusto Lara é o último à direita (assentado e com as mãos sobre as pernas)

Reportagem publicada no Jornal Impresso Correio Centro Oeste de 14 de julho/2018 - Edição1957 - Caderno Especial de Aniversário da Cidade

Pesquisa, Reportagem e Redação: Jornalista Rita Miranda 

 

Caminhar pela rua “Augusto Lara” e observar os casarões seculares que ainda restam pode ser uma agradável “viagem” no tempo para quem valoriza a memória de Arcos. Ali foi o endereço de personalidades locais como Jarbas Ferreira Pires, cuja história já foi relatada nas páginas do CCO e em outros periódicos. Quanto a Augusto Pinto de Moraes Lara, são poucas as informações disponíveis, embora sejam de relevância para o desenvolvimento do Município.

De acordo com registros do livro História de Arcos, de Lázaro Barreto, ele nasceu em 1857, em Itapecerica, e morreu em 1922 (aos 65 anos de idade). Foi casado com Maria José de Moraes Lara, com quem teve os filhos: Adolfo, Maria Augusta, Rosalina, Mariana, José, Cecília, Augusto, Marcília. É descrito como um homem inteligente e dinâmico. Instalou as primeiras máquinas de beneficiar arroz e café no então arraial (Arcos), assim como o primeiro gerador termoelétrico nas máquinas; possibilitou o funcionamento do primeiro cinema na comunidade; construiu um sistema de abastecimento de água potável encanada e também chefiou o primeiro diretório político da localidade. Nesse contexto vale lembrar que em 1923 foi montada a primeira usina elétrica de Arcos, por Ascânio Lima, inaugurada em 1924.

O CCO conversou com uma bisneta de Augusto Lara, Patrícia Gontijo Salviano, 52 anos. Ela mora em Belo Horizonte, é analista de sistemas do Banco Mercantil do Brasil. A mãe dela, Beatriz Gontijo, neta de Augusto Lara, morou em Arcos quando era criança, até os 12 anos de idade aproximadamente. Hoje ela está com 93 anos. “Minha mãe conta várias histórias do avô Augusto Pinto de Moraes Lara e da avó Maria José de Moraes Lara ‘Dindinha’ ”, comentou Patrícia, explicando que a mãe dela não chegou a conhecer o avô Augusto, afinal, quando ela nasceu, em 1925, ele já tinha falecido há aproximadamente três anos. As histórias que Dona Beatriz conta foram ouvidas na família, como por exemplo, o fato de que ele também teria sido tropeiro e comprava e vendia porcos. “Ele deixou uma casa na rua da igreja [praça Floriano Peixoto] para cada uma das filhas. A da minha avó [Marcília de Moraes Gontijo] era onde é hoje a ‘Praça dos Arcos’ ”, diz Patrícia.

Outra informação curiosa relatada ao CCO por Patrícia é que a bisavó dela [Maria José de Moraes Lara – esposa de Augusto Lara] teria sido uma das primeiras professoras da rede pública em Arcos. “Ela estudou com um irmão que era padre. Deu aulas para crianças e adultos, e sempre era chamada para entregar o diploma no final de ano. A diretora da época era Dona Corina [que nomeia a escola da APAE em Arcos – Dona Corina Ribeiro de Carvalho]. Dona Corina foi aluna da minha bisavó”, conta.

 

Curiosidades da década de 1920 – A título de curiosidade referente ao contexto histórico, nos últimos anos de vida de Augusto Lara, o presidente do Brasil era Epitácio Pessoa (no período de 1919 a 1922). De acordo com informações disponíveis no site educacao.uol.com.br, o governo dele foi marcado por inúmeras agitações sociais, principalmente na área trabalhista, por rebeliões militares e pelo aprofundamento das divisões políticas entre as oligarquias dominantes. [Lembrando que o Governo oligárquico ocorre quando um pequeno grupo de pessoas de uma família, de um grupo econômico ou de um partido governa um país, estado ou município. Os interesses políticos e econômicos do grupo que está no poder prevalecem sobre os da maioria]. 

A década de 1920 também foi marcada por certa liberdade para as mulheres. “Em 1920, nos Estados Unidos, elas conquistaram o direito ao voto. Foi naquela época que elas deixaram os espartilhos e começaram o usar cabelos curtos, vestidos decotados e na altura dos joelhos e batom vermelho.  As chamadas ‘melindrosas’ iam à praia de maiô inteiriço, fumavam em público, dirigiam seu próprio carro e falavam sobre sexo”. Essas informações estão no site http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br, Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues.

Fonte: Jornal Correio Centro Oeste - Arcos/MG