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Codornas do Cerrado percorrem o Caminho da Fé de bicicleta

Os ciclistas percorreram 326km entre Águas da Prata e Aparecida

Publicada em: 27 de outubro de 2021 às 14h50
Geral
Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 16 de outubro de 2021) Edição 2124

O grupo Codornas do Cerrado, formado por seis arcoenses, sendo dois de coração, se reuniu com o objetivo de percorrer o “Caminho da Fé” de bicicleta (até Aparecida/SP). Trajados com uniformes e bandeiras personalizadas, o nome do grupo surgiu com intuito de homenagear um grande amigo dos integrantes, já falecido.

Neisson Fernandes, que tinha o apelido de Codorna, era dono de um bar onde o grupo se reunia. Antônio Carlos (51), Gabriel Borges (23), Farlen Couto (35) e William Viglioni (35) foram os ciclistas do grupo, enquanto Oto Dias (52) e Márcio Calixto (38) seguiram no carro de apoio.

No dia 06 de outubro, partiram de carro rumo à cidade Águas de Prata (SP), local onde nasceu o Caminho da Fé. O plano do grupo era percorrer o caminho em cinco dias para chegar no dia 11. Entretanto, Gabriel Borges, que é estudante de medicina, recebeu a notícia que teve a data de uma prova adiantada para o dia 11. “Tive que encurtar minha viagem para quatro dias, já com intuito de voltar para Foz do Iguaçu (local onde mora) antes do dia 11 para poder fazer a prova”, explica Gabriel.

O início da jornada

 

No primeiro dia, pedalaram 85km até a cidade de Inconfidentes, no Sul de Minas Gerais. Gabriel conta que ficaram numa pousada onde conheceram o Sr. Carlos, que no auge dos seus 63 anos estava fazendo sua 6ª peregrinação até Aparecida.

“Durante o trajeto, sempre encontramos pessoas contando suas histórias e nos dando motivação para seguir nosso caminho”, conta Gabriel Borges.

No segundo dia, o grupo passou pela “Porteira do Céu” chegando até Estiva - MG, cidade dos morangos, após pedalar mais 55km. O grupo aproveitou para jantar e assistir à vitória do Cruzeiro.

Seguindo sozinho

 

Devido ao adiantamento da prova, Gabriel teve que se separar do grupo no início da manhã do terceiro dia. “Acordei às 4h da manhã, peguei a mochila e segui para vencer duas serras, Caçador e Luminosa”, detalha o estudante de medicina.

Gabriel seguiu o Caminho da Fé sem o carro de apoio, apenas na fé e determinação de concluir “a missão”. Na Serra de Luminosa, ele errou o caminho por falta de atenção, mas conseguiu corrigir o trajeto chegando até Campos do Jordão, estado de São Paulo.

“Eu não tinha reserva e nem lugar pra dormir. Sem forças, encostei na primeira esquina que consegui parar e encontrei um grupo de três peregrinos, que me ofereceram água e me levaram para a pousada que estavam”, explica Gabriel.

O destino prega algumas surpresas agradáveis. Por coincidência, um dos peregrinos que ajudou Gabriel também mora em Foz do Iguaçu e no mesmo bairro do estudante arcoense. “Parece até coisa do destino”, exclama.

O quarto e último dia de viagem de Gabriel foi debaixo de muita chuva e neblina durante 50 km: “Acordei cedo e segui viagem. Carregando a mochila pesada, parecia que eu não ia aguentar. Foi aí que eu entendi que o caminho é feito de resiliência”, afirma o peregrino arcoense.

Na manhã do dia 10 de outubro, Gabriel conseguiu concluir o Caminho da Fé e chegar até Aparecida: “Chegando perto, a emoção já tomava conta! Assisti à Missa na Basílica e ainda consegui pegar o ônibus para Foz”.

Chegada do Grupo

 

A partir do terceiro dia, Farlen, Antônio e William, com apoio de Oto e Márcio, continuaram o caminho da Fé sem Gabriel. Foram mais três dias regados de paisagens estupendas, muita pedalada e chuva em alguns momentos. “O legal é que a cada 30Km tem uma capela onde oramos e pegamos um carimbo oficial do Caminho da Fé”, comentou William.

Os restaurantes ao longo do caminho eram uma experiência à parte. A comida da região foi extremamente elogiada pelos “codornas”, que nos dias de muito calor aproveitavam até para tomar uma cervejinha.

Na Serra de Luminosa, Márcio Calixto, um dos responsáveis pelo apoio do grupo, desceu do carro e subiu os 12 km de serra até a cidade de Campos de Jordão, enquanto Oto levou o carro de apoio. “Eu queria subir porque sou natural de Campos do Jordão”, explica Márcio, arcoense de coração.

Farlen contou que, assim como Gabriel, o grupo também não achou lugar para passar a noite em Campos do Jordão, mas receberam uma ajuda especial: “Depois de ligarmos em vários lugares, a irmã Lourdes (freira de Campos do Jordão) arrumou um cantinho pra gente”.

O grupo chegou a Aparecida na manhã do dia 11 de outubro, um dia após Gabriel. “Foi uma provação muito bacana mesmo! Serra atrás de serra, mas compensa demais. É uma experiência incrível, de cinco dias de intensidade pura!”, exclama William, que é natural de Candeias, mas morador de Arcos há mais de 10anos.

Os aprendizados que ficam são muitos, segundo Gabriel Borges: “Às vezes, podemos ser diferentes como pessoa, mas ali no trajeto parecíamos um só; seja um peregrino a pé ou de bicicleta, o desafio não era só de um, mas de todos. O que levarei pra vida inteira é que a vida é feita de altos e baixos, assim como as serras que subimos e descemos”.

No total, os ciclistas percorreram 326km entre Águas da Prata e Aparecida, com alguns trechos chegando à elevações que passam dos 1800 metros.