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Conexão Vida precisa de mais recursos e mais voluntários

Acolhidos precisam ser reinseridos no mercado de trabalho, o que contribui com a recuperação

Publicada em: 17 de agosto de 2019 às 08h00
Arcos

Em atividade em Arcos desde novembro de 1995, a Associação Conexão Vida continua desenvolvendo o trabalho de acolhimento de dependentes químicos e alcoólatras, recuperação e reinserção ao mercado de trabalho.

A associação, que está localizada na Fazenda Corumbá, atende atualmente a uma média de 15 assistidos, todos do sexo masculino, com idade entre 20 a 60 anos. Eles são de Arcos, Lagoa da Prata, Córrego Fundo e Baependi.

Em entrevista ao Jornal CCO, a gestora da Conexão Vida, Irmã Sandra Aparecida Gontijo, falou das conquistas e das dificuldades que a associação enfrenta. Irmã Sandra é uma religiosa e também é a atual provedora da Santa Casa de Arcos.

 

 

 

Trabalhos desenvolvidos

Sandra Gontijo encontrou muitos desafios ao assumir a gestão da instituição, em outubro de 2016. Não havia uma equipe de trabalho e faltavam voluntários. Mesmo com essas e outras dificuldades, foi possível obter conquistas. A instituição passou a contar com um pedagogo, uma psicóloga e uma monitora à noite.

Atualmente a associação conta com o atendimento voluntário de um dentista, um médico cardiologista, três médicos psiquiatras e uma enfermeira, além de uma empresa que presta voluntariamente o serviço de prover Internet para toda a associação, que não possui sinal de telefone. A gestora também ressaltou o grande apoio que a Conexão Vida tem do Hospital Municipal São José e do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), nos atendimentos prestados aos assistidos. “Minha conquista é a equipe de trabalho, e ainda é 50% do que eu desejo. Eu sempre penso grande”, comentou.

A religiosidade tem fundamental importância na recuperação. Mensalmente é celebrada a missa na instituição, aos domingos acontece a Celebração da Palavra da igreja católica e aos sábados, um culto evangélico.

 

 

Dia a dia dos assistidos

Os assistidos realizam todo o trabalho de limpeza e cuidado da casa. Eles são responsáveis por fazer o café, limpar, lavar suas roupas, fazer a comida, cuidar do jardim, das galinhas e dos porcos. Eles levantam às 06h e às 06h30 já tem o café. Às 07h começa o momento de oração e espiritualidade. A equipe que presta serviços na instituição também colabora com os serviços, inclusive a presidente, Sandra Gontijo.

A comunidade terapêutica é fundamentada em três pilares: disciplina, espiritualidade e trabalho. “O que a droga faz? O que eles perdem com a droga? Eles perdem toda a noção de disciplina, de organização, de horário, de compromisso, de reponsabilidade. Então eles vão, aos poucos, reavendo esses pontos que são da vida normal”, diz a presidente.

 

Dificuldades da associação

Uma das dificuldades enfrentadas pela Conexão Vida é a falta de conforto da estrutura da casa. O terreno pertence ao Estado e atualmente a associação tem contado com a ajuda de um deputado, que tem pleiteado o terreno junto ao governo do Estado, para conseguir passá-lo para o município. Com isso, o município terá cinco anos para repassar o terreno para a associação.

Outra grande dificuldade é a limitação de recursos financeiros para manter a instituição. Segundo Sandra Gontijo, a Conexão Vida recebe apenas R$34 mil de subvenção anual da Prefeitura, valor que, com muito custo, paga apenas os serviços da psicóloga e do pedagogo que atendem na associação. “São quase voluntários. O valor que eu teria que conseguir de subvenção da Prefeitura seria R$115 mil. Eu apresentei tudo para o Denílson, apresentei para o Halph, apresentei para todos os vereadores”, disse.

A instituição tem sido mantida com doações espontâneas dos familiares dos acolhidos da comunidade arcoense, especialmente de movimentos católicos. Podem ser feitas doações em dinheiro, por meio da conta corrente 1696 003 2925-7 - Caixa Econômica Federal (Favorecida: Associação Conxão Vida), doações de alimento e de roupas.

Além das doações, a Conexão Vida necessita de parceiros que queiram ofertar vagas de trabalho aos acolhidos da associação, após o processo de nove meses de recuperação. Segundo ela, reinserir o acolhido na sociedade e no mercado de trabalho tem sido uma das grandes dificuldades da instituição: “Um dos grandes desafios da comunidade terapêutica é o processo de reinserção ao mercado de trabalho. Precisamos de parceiros para acolher os nossos acolhidos quando eles terminam o tratamento”.

A instituição também precisa de voluntários de diferentes áreas de atuação. “Imagine se pudéssemos trabalhar com Yoga, meditação; se tivéssemos artesanato, cultura, um professor de capoeira por exemplo!”, sugere a presidente.  

Os profissionais que já acompanham os acolhidos são os seguintes: pedagogo Magno José, psicóloga Zaira, psiquiatras João Batista, Cibele e Maísa, médico clínico Aisthen Gontijo, fisioterapeuta Cíntia Gontijo Rodrigues, dentista João Paulo Roque, enfermeira Solange Leandro e também os médicos João Paulo Estevão e Wellington Roque. Contam com o apoio do Pastor César Augusto e dos padres Dimas e Geraldo Gontijo. O pedagogo Magno José participa do planejamento, execução e avaliação dos processos terapêuticos.

Irmã Sandra Gontijo, que também é a administradora e responsável pela proposta terapêutica, agradece a todos que colaboram e espera contar com mais apoio, lembrando que a dependência química é uma doença crônica e progressiva. Se não for paralisada, pode levar a fins fatais.