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Recortes do Tempo – Histórias de Arcos

Extração de cristais em Arcos na década de 1940 teria atraído garimpeiros da região

Publicada em: 23 de janeiro de 2019 às 13h19
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 19/01/2019) - Edição 1984

A cidade de Arcos, que é famosa pela extração de calcário, também já teria atraído garimpeiros em busca de cristais.

Quem conta a história é o aposentado Lino Teixeira, de 84 anos, morador do bairro Vila Boa Vista. Em entrevista ao CCO, ele disse que quando era criança, aos 8 anos de idade, em 1942, havia um garimpo de cristais na cidade, na região conhecida como Pica-pau (caminho entre Arcos e as comunidades rurais Santana, Sobradinho e São Domingos – onde estão as antenas de TV e rádio).

A fazenda era de propriedade de uma tia dele, conhecida como “Chiquinha Nega”, e quem tomava conta era o filho dela, Messias Clementino Teixeira. Os garimpeiros exploravam e a dona da fazenda tinha direito a uma porcentagem de 10% sobre o valor.

“Eu me lembro do garimpo, porque meu pai vendia leite e queijo lá na fazenda. Eu ia com meu pai e me lembro de ver os cristais. Eram sextavados (seis faces) e tinham uma pontinha. Tinha de diversos tamanhos, até de 2 kg, mas a faixa média era de 250 a 700 gramas”, relembra.

Segundo nosso entrevistado, mais de cem garimpeiros ficavam por lá. Em pouco tempo, em aproximadamente dois anos, a atividade teria sido encerrada e foram plantados pés de eucalipto no local.

Sr. Lino não se lembra de ouvir falar sobre a vinda de garimpeiros de outros Estados. Os que estavam sempre lá eram aqui da região. Vinham das cidades vizinhas e montavam ranchos de capim no local, para acamparem e explorarem o terreno, na esperança de encontrarem a preciosidade. “Eles acampavam lá, faziam comida e dormiam... Lá tinha até um armazém feito de capim”, conta e diz que alguns não tinham boa situação financeira e iam tentar a sorte. Já outros eram fazendeiros, inclusive da região de São Domingos em Arcos. Alguns tiveram êxito financeiro com a venda do cristal. Ele cita nomes: José Ferreira Gomes (Juquinha Ferreira), José Berto, José Honório Moreira.

Na época, embora criança, ele se lembra de ouvir dizer que alguns tipos de cristais explorados aqui eram considerados os melhores do país e tinham muito valor. “Tinha o cristal vinho e o branco. Lembro dos buracos no chão com profundidade de uns cinco metros. Aqueles que davam sorte ficavam bem de vida, quando achavam um veio do cristal”, relata.

Com o fim da exploração, o local foi aterrado. Sr. Lino acredita que ainda possa existir cristal naquela região.

Emancipação de Arcos – Outra lembrança de Sr. Lino é da emancipação político-administrativa de Arcos, que aconteceu em 17 de dezembro de 1938. “Eu era criança e vim na comemoração da emancipação da cidade, com meu avô, que fazia parte da comissão. O nome dele era José Pedro Ferreira Valadão. Eu lembro da festa no jardim (praça Floriano Peixoto), que era de chão, uma área grande. Fizeram um palanque improvisado e o Benedito Valadares, que era governador de Minas Gerais, veio participar. Eu lembro de ver ele”, recorda.

Sr. Lino é casado com Aparecida Ferreira Teixeira. Ele já foi lavrador, trabalhou em mineração e aposentou-se como carpinteiro. O casal tem cinco filhos – Maria Aparecida (enfermeira), José Valter (aposentado), Elza (enfermeira), Valda (enfermeira aposentada), Lino (aposentado) –, 11 netos e quatro bisnetos.

 

Os cristais encantam pelo formato, pelas cores e pela luminosidade

Leia, abaixo, resumo de uma pesquisa publicada no Portal São Francisco, que utilizou a fonte www.platevs.com/www.templeofmagic.hpg.ig.com.br/www.emdiv.com.br:

Os cristais, como toda matéria, são compostos por átomos, que são partículas microscópicas. Na formação de uma estrutura cristalina, como a ametista, o quartzo límpido ou o citrino, por exemplo, os átomos estão associados em perfeita unidade e harmonia, como se tivessem nascido uns para os outros. Assim também acontece com as moléculas, que vibram todas numa mesma frequência. Os cristais são considerados formas minerais integrais e completas em si mesmas, que encantam pelo formato perfeito, pelas cores deslumbrantes e pela luminosidade que irradiam.

Para chegaram às nossas mãos, passam por um exaustivo trabalho de extração. Como se formam em veios, na terra, é preciso tirá-los de lá com ferramentas rudimentares, cunha e martelo. O trabalho se complica quando feito em escala industrial. Aí é preciso usar máquinas especiais, até explosivos, como na extração do quartzo em todas as suas variações. Em outros casos, é preciso colher o cristal depositado na areia, em beira de praia ou leitos de rios, da mesma forma que se obtém o diamante e o topázio. Aí, a pedra bruta ainda vai passar por um processo de limpeza com produtos químicos e de polimento e lapidação para só então revelar todo o seu brilho.

Os cristais de maior dureza, como o diamante, são aplicados na indústria para cortar materiais resistentes. Outros, como o quartzo e a calcita, são empregados na fabricação de instrumentos, máquinas e ferramentas, como, por exemplo, transistores e microscópios.

As pedras preciosas são, em geral, cristais diáfanos e duros, suscetíveis de corte e polimento. Entre as mais apreciadas estão o diamante, o rubi, a esmeralda, o topázio e a safira, usados na fabricação de jóias.

O material comumente conhecido como cristal é, na verdade, vidro incolor de grande transparência, resultado da mistura e da fusão de areia de sílica com outras substâncias. Utiliza-se na confecção de taças, luminárias e objetos de decoração.