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Fumusa, um marco na assistência à saúde pública em Arcos, completa 40 anos

Publicada em: 11 de setembro de 2019 às 10h04
Arcos
História de Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 07/09/2019) - Edição 2017

A Fundação Municipal de Saúde e Assistência de Arcos (Fumusa) foi instituída em 15 de agosto de 1979, na gestão do prefeito Paulo Marques de Oliveira, de acordo com registro feito no Cartório do 1º Ofício (Judicial e Notas). Foi definida como entidade sem fins lucrativos de personalidade jurídica de direto privado, tendo autonomia administrativa e financeira, receita e patrimônio próprios.

Na ocasião, contava com uma Kombi equipada com consultório odontológico. A dotação orçamentária municipal prevista para aquele ano, 1979, foi no valor de Cr$ (trezentos e cinquenta mil cruzeiros).  Foi criada para prestar os seguintes serviços: consultas médicas ambulatoriais; trabalhos de medicina preventiva; exames de medicina ocupacional; aviamento das receitas expedidas na própria unidade, de acordo com a disponibilidade de medicamentos e conforme a padronização adotada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais; Aquisição gratuita de medicamentos por meio da Central de Medicamentos; Pequenas Cirurgias; Assistência Obstétrica; Serviços de Saneamento do Município; Assistência Odontológica; Assistência à Saúde Escolar.

 

Primeira funcionária

 

“Trabalhamos muito tempo na responsabilidade do Estado, que mandava pouco dinheiro, mas o Paulo Marques assumia com muito carinho, com muita responsabilidade, e melhorou a vida das pessoas, das crianças [...]” – Geralda Rodrigues

A técnica em enfermagem Geralda Aparecida Rodrigues, 66 anos, foi a primeira funcionária da Fumusa, a convite do então prefeito, Paulo Marques de Oliveira. No início ela acumulava as funções de técnica em enfermagem, auxiliar do dentista, auxiliar do médico e também trabalhava no setor administrativo, fazendo as compras.

A primeira experiência de Geralda Rodrigues na área de saúde foi no antigo posto de saúde que era localizado na rua “25 de dezembro”, depois de ter feito a Capacitação de Aprendizado em Enfermagem, em Divinópolis. Em seguida, fez o curso de auxiliar de enfermagem no Hospital São João de Deus, em Divinópolis, onde passou a trabalhar. Depois de algum tempo, fez uma complementação, no curso técnico de Enfermagem do Colégio Dôminus, em Arcos.  

Ao relembrar o início da história da Fumusa, ela relata que depois de algum tempo foram contratados um administrador e outros funcionários, a exemplo de Manoel Valadão, Maria Inês Ribeiro, Zoraida Xavier, Rosângela Alves e Maria Rita. “Fazíamos de tudo, inclusive a limpeza. Não tinha esse negócio de função, porque a fundação tinha que funcionar”, relembra e diz que trabalhava com prazer, mesmo diante das dificuldades.

No início, atendiam na instituição apenas o médico Carlos Roberto e o dentista Luís Carlos Faria Campos. O serviço odontológico era prestado em uma kombi. “Saía de bairro em bairro. De manhã a gente ajudava o médico e à tarde íamos para os bairros, na Kombi, com o dentista”.

Na época, não havia material descartável e os profissionais da saúde tinham muito mais trabalho. As seringas eram de vidro. Era necessário esterilizar todo o material em água fervida. Um fato curioso contato por Geralda Rodrigues é que era necessário “amolar” as agulhas, quando ficavam velhas. “A gente fazia aquilo com muito cuidado e pensando que era bom. Quando a primeira seringa descartável chegou, achamos muito bom”.

Também ficou na memória da enfermeira que o transporte de pacientes doentes para Divinópolis e Belo Horizonte era feito em ônibus da empresa Irmãos Teixeira. “A gente acordava às 5 horas da manhã e levava as crianças nos braços; e também os idosos”.

Diante de todas as dificuldades iniciais e ao ver a evolução da Fumusa, ela diz que tem um grande carinho pela Fundação, que ajudou a melhor o acesso à saúde pública em Arcos, logo que foi criada. Na época, até 1988, como acontecia em todo o país, o serviço público de saúde era limitado a quem tinha vínculo empregatício com alguma empresa (Carteira de Trabalho assinada) e, portanto, contribuía com a Previdência Social. “A pessoa levantava de madrugada e ficava em uma fila esperando uma ficha do INSS num escritório que tinha em Arcos, porque a saúde era de responsabilidade do Estado”, explica. Quem não tinha nenhum vínculo empregatício, ficava dependendo da caridade dos outros ou de instituições filantrópicas. Geralda Rodrigues diz que os médicos João Vaz Sobrinho, Odilon Chagas de Carvalho e Moisés faziam alguns atendimentos gratuitos no Município.

Mesmo com a abertura da Fumusa, com um médico e um dentista disponíveis, a municipalização oficial da saúde ainda demorou um pouco. “Trabalhamos muito tempo na responsabilidade do Estado, que mandava pouco dinheiro, mas o Paulo Marques assumia com muito carinho, com muita responsabilidade, e melhorou a vida das pessoas, das crianças. Tinha um convênio com a LBA, que mandava leite, roupinhas para os bebês. Tinha até uma costureira, Dona Aparecida, que fazia os enxovais dos bebês. Dona Zita, primeira dama, trabalhava como voluntária. Quando chegou a municipalização, já tínhamos começado a fazer tudo isso. Então, de fundação passou para Secretaria de Saúde”.

Quando se lembra das dificuldades do passado, ela avalia: “O pessoal de Arcos deveria valorizar mais a assistência à saúde local, não porque está bom, tem muita coisa que precisa melhorar, mas apesar das dificuldades financeiras, as coisas estão caminhando. As pessoas também precisam entender mais sobre o que é urgência, emergência e o que é o atendimento preventivo. Precisam cuidar melhor da saúde, preventivamente. Não cuidam da alimentação, não fazem exercícios físicos, bebem e fumam. É preciso cuidar melhor da saúde preventiva e procurar a assistência curativa na hora certa, não deixar passar da hora”.

 

Paulo Marques acompanhava diariamente os trabalhos na Fumusa

Na opinião de Geralda Rodrigues, Paulo Marques foi o melhor prefeito de Arcos porque era rígido e acompanhava de perto o trabalho dos servidores. “Todos os dias, às 5 horas da manhã, ele ia para o Almoxarifado e tomava a sopa com os funcionários. Depois ia em todos os setores da Prefeitura. Às 7 horas da manhã, passava na Fumusa pra ver como estava funcionando. Ia também na zona rural. Ele cobrava muito da gente e valeu a pena. Ele fez muita coisa, sem dinheiro, porque na época não tinha”, conclui.