Vende-se Apartamento

Mães e donas de casa em tempo integral, durante a pandemia

Nayara deixou o emprego para cuidar da filha e afirma: ''Não tem dinheiro que compre a felicidade dela''

Publicada em: 23 de julho de 2020 às 15h04
Arcos
Educação

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 16/07/2020) - Edição 2060

As mulheres, com suas múltiplas "identidades", são admiradas por conciliarem responsabilidades como profissionais, donas de casa, mães e esposas -  e ainda com tempo para a academia e o salão de beleza. Com a pandemia de Covid-19, mesmo em um contexto de incertezas diante de um vírus que ainda está sendo estudado, os protocolos e decretos para enfrentamento da doença estão reestruturando as relações sociais, de trabalho e familiares.

Em vários países, ações como lockdown estão trazendo consequências econômicas tão ou mais preocupantes quanto a doença: o desemprego, a recessão, a fome. Outra consequência da pandemia é o fechamento das creches, que também representa um novo desafio para as mães que trabalham fora e, agora, não têm para onde levar os filhos. Embora o CCO não tenha conseguido os números referentes ao Município de Arcos, o fato é que essas mulheres se viram diante de poucas possibilidades: deixar o emprego ou permanecer nele e contratar babás ou deixar os filhos com familiares. Aquelas que puderam optar por deixar o emprego estão vivenciando a experiência de serem mães e donas de casa em tempo integral.  É o caso de Nayara Kênia de Melo, casada com o padeiro Dênis Castro de Paula. Ela afirma que estar com a filha o tempo todo tem sido gratificante.

Nayara trabalhava fora há 13 anos, desde os 16 anos. Já foi babá, balconista, trabalhou em fábrica de costura e seu último emprego foi como vendedora. A filha do casal, Valentina Melo de Paula, ficava na creche "Maria da Glória Veloso" desde os 4 meses de idade, onde evoluiu bastante, conforme relata a mãe. Agora, está com 2 anos de idade.

Em abril, em decorrência da pandemia de Covid-19, quando as creches deixaram de receber as crianças, Nayara decidiu deixar o emprego, diante da necessidade de ficar com a filha. "Minha motivação foi a situação que estamos passando no atual momento, por não ter familiares em Arcos e não ter com quem deixar ela, devido ao fato de a creche não estar funcionando e sem previsão de volta", disse Nayara.

Nayara gostava de trabalhar fora, para ter renda própria e poder contribuir com o marido nas despesas de casa e nas compras para ela e a filha, mas afirma que está gostando desta nova fase da vida. "Estar em casa com a Valentina, acompanhar seu crescimento, ver suas descobertas e até suas artes (rsrs), para mim não tem nada que pague, não há dinheiro nenhum no mundo que pague as risadas e o brilho nos olhos quando estamos em nossos momentos juntas! Agradeço a Deus por poder estar em casa com ela. Não tem dinheiro que compre a felicidade dela; ela está achando o máximo ter a mãe em tempo integral só pra ela".

Nossa entrevistada, que saía de segunda a sábado para trabalhar, agora é "apenas" dona de casa; e está feliz assim! Ela fala de sua rotina: "Acordamos, troco a fralda dela, dou a mamadeira, escovo os dentes dela e vamos um pouco para o quintal, onde ela brinca com sua cachorrinha (ela ama cachorros!). Faço o almoço, ela almoça e dorme aquele soninho depois do almoço. Na parte da tarde, quando acorda menos agitada e mais tranquila, fazemos as atividades escolares. Aproveito o sono dela na parte da tarde para fazer minhas coisas e até mesmo deito um pouco com ela, afinal, ninguém é de ferro (rsrs)". Nayara precisa estar sempre por perto da filha, que está em uma fase que requer muita atenção. Essa dedicação exige muito dela, que, mesmo assim, afirma: "É gratificante!".  

A mamãe demonstra, em seu relato, que a decisão foi a melhor para a família, que não ficou prejudicada financeiramente e estão todos satisfeitos. "Estão adorando eu em casa, marido e filha. Graças a Deus, não nos tem faltando nada!".

Mesmo sentindo falta de ter sua renda própria, Nayara também se sente feliz e aconselha as mães: "Aproveitem o momento. Se Deus dá a vocês esta oportunidade, abrace-a! O tempo voa. Eles crescem muito rápido! Antes estavam em nossas barrigas e agora já correm pra todo lado, já sabem o que querem e adoram nossas companhias".

Quando for possível, Nayara pretende voltar ao mercado de trabalho, mas de uma maneira que continue tendo tempo para ficar com a filha. "Queria ter meu próprio negócio e assim poder fazer meu tempo, me organizando para estar com minha filha", conclui.

 

Consequências da pandemia

Trabalhadores informações estão recorrendo aos serviços assistenciais

Trabalhadores informais que tiveram sua renda financeira significativamente reduzida em função da pandemia, assim como pessoas desempregadas, passaram a buscar atendimento socioassistencial na Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Integração Social (SEMDIS). Segundo o secretário Otávio Miranda, "muitos desses atendimentos são de usuários que procuraram atendimento social pela primeira vez, o que indica a acentuação da vulnerabilidade social e econômica ocasionada pela pandemia".

Outro dado que indica aumento do número de atendimentos é a quantidade de cestas básicas de alimentos, limpeza e higiene pessoal concedidas no período da pandemia. No primeiro mês foram concedidas à população 600 cestas básicas. Nos meses posteriores, a SEMDIS passou a distribuir, em média, 310 cestas básicas/mês. Antes da pandemia, eram repassadas aos usuários, aproximadamente, 130 cestas básicas. Para a doação das cestas, a Secretaria tem uma parceria com a Belocal.

Usuários que desejam acionar os serviços de proteção social básica podem ligar nos telefones da Secretaria de Integração Social (3351-5118) ou no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS/3351-5689) e agendar dia e horário com o Técnico de Referência do Serviço.