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Profissões antigas

Paulão Sapateiro atua há 50 anos na profissão

Publicada em: 09 de julho de 2019 às 10h45
Arcos
História de Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 15/06/2019) - Edição 2005

Atualmente, a profissão de sapateiro é rara, com poucos profissionais que permanecem no mercado. Em Arcos, um deles é o paulista Paulo Monteiro (Paulão), 65 anos, natural de Franca, polo calçadista.

Paulão iniciou a carreira nas fábricas de calçados, aos 15 anos de idade, como ajudante. Permaneceu por mais de 20 anos no segmento. Trabalhou na fábrica Calçados Samello, onde fez vários cursos. Adquirindo experiência e dominando as técnicas, começou a trabalhar como autônomo.

Há 21 anos, decidiu vir para Arcos. “Quando eu saí da minha terra para vir pra cá, fui até censurado por alguns mineiros. Lá tem muitos mineiros e eles falaram pra mim que eu ia passar fome aqui. Eu vim, comecei a trabalhar e a minha estrutura foi crescendo. Hoje, graças a Deus, eu sou uma pessoa abençoada. Meus sonhos, eu consegui realizar aqui: casas, carro, chácara, tudo através do meu trabalho. Sou um arcoense de coração, um mineiro naturalizado já”, conta, demonstrando amor por Arcos, onde fez muitos amigos.

Paulão sempre trabalha na região central. Já atendeu em pontos comerciais na avenida Governador Valadares e na rua Joaquim Murtinho. Agora está em uma casa na rua Formiga, em frente ao Hospital Municipal.

É casado com Maria Nazaré da Silva Monteiro, que o ajuda nos consertos e pinturas de sapatos e bolsas. O casal tem dois filhos: o técnico de som Lucas (34 anos) e a arquiteta Lidiane (33).

O que não falta é trabalho, mas falta mão de obra. Ele diz que os jovens de hoje perderam o interesse na profissão. “Comigo aqui já passaram vários jovens, inclusive meu próprio filho, e nenhum quis seguir. Tomaram outro rumo. Os jovens de hoje têm uma cabeça diferente dos jovens de antigamente”, comenta.

Paulão fala com orgulho do seu ofício: “É um trabalho gratificante! Aprendi a gostar! E isso é muito importante: gostar do que faz. Tem que ter a técnica e um bom relacionamento com o público, atender bem, fazer consertos bons e cobrar um preço justo”.

Para incentivar os jovens a começar a vida trabalhando com calçados, ele orienta: “Todo trabalho é dignificante. Se o jovem começar e gostar, ele pode criar sua família com essa profissão. Não existem grandes dificuldades. Tem seus desgastes, mas consertar calçados pra mim foi muito gratificante, e eu digo aos jovens: sigam esse caminho, porque só a escola hoje não é suficiente. A pessoa tem que ter uma profissão, até mesmo para pagar os estudos. Se não gostar, parte para outra profissão. Quem faz um bom princípio tem facilidade de fazer uma boa caminhada e conseguir seus objetivos”.

Ao final da entrevista, ele disse: “Amo esta cidade de coração. Vou continuar por aqui mesmo. O mineiro é muito receptivo, muito simples, de fácil acesso. Eu caí na graça do povo. O paulista pensa que o mineiro é bobo, mas o mineiro não é bobo, o mineiro é simples em seu jeito de se expressar, de conversar”.

Diante da pergunta: O senhor se sente mais paulista ou mais mineiro?, ele responde: “Agora eu sou mineiro!”

 

Surgimento do calçado

De acordo com divulgação do Portal São Francisco, o surgimento do ofício de sapateiro é muito antigo. De início, era comparado ao ofício de curtidores e carniceiros. Com o surgimento de três santos sapateiros, o cristianismo fez com que essa situação se revertesse. Foram eles: Aniano, sucessor de São Marcos como arcebispo de Alexandria (século I) e os irmãos Crispim e Crispiniano. Por isso a data escolhida para celebrar o Dia do Sapateiro é a mesma da festa de São Crispim e São Crispiniano (25 de outubro). Eles nasceram em Roma e pertenciam a uma família cristã rica. Foram para a Gália, atual França, para propagarem a fé em Cristo, e também exerciam a profissão de sapateiros.

Por muito tempo, todos os sapateiros continuaram trabalhando de forma artesanal. Os padrões surgiram na Inglaterra, quando, em 1305, o rei Eduardo I estabeleceu medidas uniformizadas e padronizadas para a produção de sapatos. O Rei decretou que uma polegada fosse considerada como a medida de três grãos secos de cevada, colocados lado a lado. Os sapateiros passaram a fabricar os calçados seguindo as medidas do rei. Assim, um par de sapatos para criança, que medisse 13 grãos de cevada, passou a receber o tamanho 13. A partir daí a padronização tornou-se uma tendência mundial. O primeiro calçado foi registrado na história do Egito, por volta de 2000 a 3000 a.C.: sandália, composta por duas partes, uma base, formada por tranças de cordas de raízes como cânhamo ou capim, e uma alça presa aos lados, passando sobre o peito do pé.