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Presidente da CDL fala sobre as consequências que o fechamento do comércio tem gerado

Ivis Andrade disse que em virtude do lockdown, está havendo a redução do quadro de funcionários e, principalmente, a paralisação de contratos temporários sem vínculo empregatício

Publicada em: 20 de abril de 2021 às 14h07
Arcos
Economia
Entrevistas

(matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 17/04/2021) - Edição 2098

Já se vai mais de um ano em que todos convivem com a pandemia de Covid-19 e esse prolongado período tem trazido consequências diversas, inclusive econômicas. Em Arcos, comerciantes e pequenos empreendedores foram prejudicados com o lockdown. Alguns já reabriram parcialmente, porém, outros continuam sem poder trabalhar. Isto tem levado ao encerramento de atividades, o que prejudica não apenas os proprietários, mas também os trabalhadores, que ficam sem emprego.

Para abordar o tema, o CCO entrevistou o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Ivis Andrade. Ele disse que o setor tem sido afetado desde 2020 e quanto mais a contaminação pela doença aumenta, mais o comércio é ameaçado com várias restrições e até mesmo com o fechamento. Ele afirma que todos os empresários entendem a necessidade das restrições, porém, elas têm gerado desgastes, desiquilíbrio e prejuízos, não apenas para os proprietários. "É importante esclarecer que o comércio é o maior empregador em nossa cidade. Com as lojas fechadas, o desemprego aumenta e tudo poderá piorar no cenário. O empresário cumpre seu papel, assume os prejuízos e enfrenta todas as restrições, porém, o momento agora está no limite".

 

"Diversos comércios fecharam e isso é facilmente visto no centro pelos cômodos com placas de 'aluga-se'" - Ivis Andrade

O presidente da CDL comentou que há diversos relatos de empresários que estão com um alto nível de endividamento por causa da pandemia e estão se desfazendo de bens empresariais e também pessoais, para gerar dinheiro, sanar dívidas e tentar salvar o empreendimento.

"Diversos comércios fecharam e isso é facilmente visto no centro pelos cômodos com placas de 'aluga-se'. O principal motivo é o custo para se manter fechado. Salários, aluguel, contas, manutenção, etc. Eles não diminuem quando estão fechados. Nem mesmo o alvará de funcionamento tem desconto pelo tempo que está fechado", disse.

Ivis Andrade comentou que estão ocorrendo muitas demissões. Está havendo a redução do quadro de funcionários e, principalmente, a paralisação de contratos temporários sem vínculo empregatício, como é feito com entregadores, serviços de limpeza e de manutenção.

Segundo ele, um dos setores mais afetados é o comércio varejista de roupas, calçados e utensílios.

 

Solicitações ao Executivo e ao Comitê - Para reverter a situação, os empresários têm solicitado, ao Executivo Municipal e ao Comitê de Enfrentamento à Covid-19, a flexibilização e o retorno ao trabalho, mesmo que seja com restrições. Porém, segundo o presidente da CDL, a resposta da Prefeitura sempre é baseada no momento e na 'onda' em que a cidade está no programa Minas Consciente.

Ivis Andrade citou algumas das principais reivindicações que já foram feitas: prorrogação, por três meses, dos impostos municipais (incluindo a parte do Município no Simples Nacional); parcelamento em até seis vezes dos valores devidos; prorrogação da taxa de alvará e isenção da taxa para as micro e pequenas empresas de baixo impacto ambiental; isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para empresas; parcelamento e isenção de multas e juros para empresas inadimplentes com tributos municipais; aumento da conscientização e orientação da Vigilância Sanitária nas medidas protetivas contra a Covid-19; intensificação das 'campanhas de combate à Dengue', visto que muitas pessoas se encontram em casa por medida de segurança em virtude do coronavírus e podem contribuir com a minimização dos focos do mosquito Aedes Aegypti.

 

Contribuições da ACE/CDL

Ivis Andrade comentou que a ACE/CDL está tentando auxiliar os comerciantes de várias formas, fazendo representação no Comitê, solicitando a flexibilização, negociando possibilidades, negociando dívidas e judicializando medidas necessárias para equilibrar.

A ACE/CDL também lançou uma campanha nas redes sociais, com os associados, chamada 'Todos Somos Essenciais'. "O objetivo da campanha é mostrar à comunidade que todos são essenciais, pois todos nós dependemos dos empreendimentos, sejam os proprietários ou os colaboradores. O que buscamos não é uma abertura inconsequente do comércio, mas sim, uma retomada consciente e o equilíbrio das medidas, para que a economia consiga girar e continue financiando toda cadeia produtiva", explica.

Na terça-feira, dia 13, quando já havíamos entrevistado o presidente da CDL, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura divulgou que Arcos iria adotar a retomada consciente das atividades comerciais, a partir de quinta-feira, dia 15.