Empreendedor 2017
Aos mestres, com carinho

Professores tradicionais de Arcos são lembrados pelo domínio do conteúdo, pela rigidez e pelos resultados

Publicada em: 15 de outubro de 2017 às 07h00
Educação
Professores tradicionais de Arcos são lembrados pelo domínio do conteúdo, pela rigidez e pelos resultados

Professor Valdo, a esposa (Marlene) e a filha (Gabriela)

Se você foi aluno dos professores Valdo, da Dona Vera Amorim ou da Bedeschi, vai se lembrar do estilo desses mestres: domínio do conteúdo, rigidez e ótimos resultados.

O professor de matemática e física Valdo dos Reis Silva, 66 anos, aposentado há 10 anos, é inesquecível para os ex-alunos. Valdo era sério, até mesmo quando brincava, e metódico ao ensinar. Trabalhou na então Escola Comercial Arcoense (que depois recebeu o nome de colégio ‘Dom Belchior’), na escola estadual ‘Dona Berenice de Magalhães Pinto’ e na EFG (Escola de Formação Gerencial/Sebrae).

No primeiro dia que entrava em uma sala de aula, logo dizia: “Eu sei quem sou, e você me imagina”.  Hoje ele explica o que queria dizer: “Você me imagina mau, carrasco, mas eu não sou isso que você imagina”. E não é mesmo! Ex-alunos que se dedicavam aos estudos sabem disso; e quem convive com ele logo percebe: Valdo transmite serenidade no olhar e na voz, principalmente quando se emociona. É cercado do amor da esposa, Marlene Teixeira, e das filhas. “Sou muito feliz, não parece, mas sou. As pessoas têm aquela ideia: ‘Ah... O Valdo não ri’... Não é toda hora..., mas tem ela pra rir pra mim”, diz, brincando, referindo-se à esposa.

Durante a entrevista ao CCO, ele também disse que se orgulha em saber que muitos de seus ex-alunos se tornaram grandes profissionais, nas mais diversas áreas, e trabalham em grandes empresas. Geralmente é abordado por eles e se sente realizado.

Valdo é natural de Bambuí e se diz muito grato a Deus e à população de Arcos, que o acolheu.  “Quero agradecer, de forma muito especial, a Deus; à minha mãe; ao Dr. Janser, um dos gerentes da Química (extinta indústria química de Arcos), onde trabalhei dois anos (ele me ajudou em todo o meu curso de graduação e foi uma pessoa que marcou muito a minha vida nesse sentido); agradecer à Marlene (esposa), à Gabriela (filha mais nova) pelo apoio que me dão aqui em casa; a todos os meus colegas e ex-alunos”. Ele também cita outros educadores tradicionais de Arcos, a quem é grato: “O Aderson Nogueira, Terezinha Gontijo (in memoriam), Humberto Soraggi (in memoriam) e Dona Nazaré, Aulsênia Vidal e outros”, conclui, emocionado.

 

Professora Bedeschi continua lecionando; é referência no ensino de Geografia em Arcos

Maria do Carmo Bedeschi Rosa, 56 anos, é professora de Geografia desde os 20 anos de idade, inicialmente no extinto colégio ‘Dom Belchior’ e depois na EFG, onde lecionou desde a fundação da unidade local. Na rede particular, aposentou-se quando trabalhava nessas duas escolas. Atualmente é professora na escola “Berenice de Magalhães Pinto”.

Bedeschi fala sobre a realidade da sala de aula: “Não está fácil, porque no Estado se cobra muito do professor, mas não se exige tanto dos alunos. Eles têm muitos direitos e pouquíssimos deveres [...]. Sou professora. Estou lá para ensinar aquele conteúdo, despertá-lo para aquele conteúdo e para aquilo que o conteúdo possa ajudar na vida dele. Agora, educação e ética devem começar em casa, e infelizmente não está acontecendo isso”. Diante desse cenário, diz a professora, muitas vezes o professor precisa ser enérgico. Essa postura está dando certo, porque Bedeschi é referência no ensino de Geografia em Arcos, há décadas.

Mesmo diante de todas as dificuldades, Bedeschi gosta do que faz e afirma: “Ser professor é muito bom. Eu gostaria é que fôssemos mais valorizados em termos de respeito; que o próprio governo valorizasse, porque os políticos, os médicos, os dentistas, os profissionais liberais, todos eles passaram pelas mãos de professores e ainda dependem deles em cursos de especialização mais graduados”.

 

Dona Vera Amorim foi referência no ensino de educação física em Arcos

Vera Maria Nogueira Amorim Alves Teixeira, 79 anos, deu aulas no primário e também de educação física, nas escolas estaduais ‘Yolanda Jovino Vaz’, ‘Berenice de Magalhães Pinto’ e outras. Foi professora durante 40 anos, desde 1958. Em entrevista ao CCO, ela disse que sente saudades do convívio com os alunos. “Toda vida gostei muito de esportes, gostava de acompanhá-los nos jogos intermunicipais. Eu gostava de ensinar handebol, vôlei, futebol de salão, enfim, todas as modalidades”.

Sobre o comportamento dos alunos e a valorização profissional, ela diz que na época dela era diferente, porque os alunos respeitavam mais os professores e o salário era razoável. “Depois piorou, foi defasando”, acrescenta.

Esses foram os professores entrevistados pelo CCO neste ano, mas a homenagem é para todos os professores de Arcos. Que vocês continuem se dedicando à missão de ensinar, com entusiasmo e esperança de dias melhores.