Vende-se Apartamento
A arte e a técnica de fazer joias

Waldir se dedica ao trabalho de ourives há aproximadamente 60 anos

Publicada em: 21 de fevereiro de 2019 às 11h01
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 16/02/2019) - Edição 1988

Abnegação. Essa palavra “complicada”, que significa dedicação total, é uma das principais qualidades do relojoeiro, profissão que atravessa séculos de tradição na produção e no conserto de relógios e é uma das funções mais antigas do mundo.

De acordo com matéria publicada no jornal O Norte de Minas, quando surgiu a profissão, só eram aceitos profissionais experientes no ramo. Na Inglaterra, por exemplo, um relojoeiro só poderia comercializar o seu primeiro conserto de relógio após sete anos de experiência. A profissão requer atenção, paciência e muita dedicação, porque relógios são máquinas com dezenas de pequenas engrenagens que têm a função de controlar o tempo da vida humana.

Em Arcos, Waldir Soares da Silveira, de 75 anos, está no ramo há aproximadamente 60 anos. Além de ser relojoeiro ele também é ourives: trabalha com metais preciosos na fabricação de joias e ornamentos.

Waldir é natural do distrito de Santo Hilário e tem uma relojoaria em Arcos há 50 anos. É casado com Magali Fonseca da Silveira, com quem tem dois filhos, Richard Fonseca da Silveira e Michele Cristine Teixeira da Silveira.
Em entrevista ao Jornal CCO, ele contou que aprendeu as duas profissões, relojoeiro e ourives, quando foi convidado a trabalhar com um primo que morava na cidade de Formiga e era proprietário de uma relojoaria. “Quando eu comecei a trabalhar em Formiga eu tinha na faixa dos 18 anos. Eu estava em Formiga já parando de estudar e surgiu a oportunidade. Meu primo era dono da Relojoaria e ele me convidou; eu gostei muito e fui desenvolvendo”.

Depois de ficar 10 anos em Formiga, soube que havia uma relojoaria à venda em Arcos. Em sociedade com um amigo, veio para a cidade e comprou a loja, em 1969. Com a compra da relojoaria, ele e seu sócio passaram a ser os únicos profissionais da área na cidade. “Ele trabalhava de relojoeiro e eu de ourives, eu com joia e ele com relógio. Nós trabalhamos juntos 10 anos e depois nós separamos a sociedade. Ele continuou e eu continuei também até hoje”.

Em décadas passadas, a procura por joias era maior – Waldir conta que quando começou a trabalhar como relojoeiro e ourives, a procura por joias era maior que nos dias de hoje. Uma curiosidade, segundo ele, é que os maiores consumidores desses produtos, na época, não eram em sua grande maioria ricos, e sim, pessoas com uma renda média, incluindo moradores da zona rural, que gostavam de usar muitas joias.  

Ele explicou que atualmente não se vende mais joias como antigamente, devido ao aumento da criminalidade e também devido ao aumento da venda de semijoias e bijuterias.

Além dos consertos realizados na loja do Waldir, onde também são comercializados vários outros itens, a venda de alianças e de relógios ainda é o carro-chefe da empresa.

 

 

“É algo muito bonito pegar o material bruto, moldar e fazer uma joia”

Waldir recebeu a repórter do CCO em sua loja. Durante a entrevista, ele mostrou uma mesa que continha vários materiais de trabalho e está com ele há mais de 40 anos. “Esta mesa que estamos aqui, ela tem mais de 40 anos. Estou aqui trabalhando há mais de 40 anos nela. Ela está acabadinha, mas está aí!”, comentou.

Ele disse que ama sua profissão e não se vê trabalhando em outra área a não ser como relojoeiro e ourives. “Eu não me vejo em outra profissão a não ser esta. Eu tive muita sorte de ter, por coincidência ou por destino, a oportunidade de ter entrado nesse ramo. Além de financeiramente, é algo muito bonito pegar o material bruto, moldar e fazer uma joia”.

O amor pela profissão também foi repassado para o filho Richard, que desde cedo começou a trabalhar com o pai e aprendeu os ofícios de relojoeiro e de ourives. A empresa, que é familiar, também conta com o apoio da esposa de Waldir, Magali, que trabalha junto a ele e o filho.

Waldir finalizou a entrevista dizendo que é muito grato pala profissão que desempenha e que por meio dela conseguiu ter o prazer de ver sua família realizada. Ele agradece a toda a população de Arcos, que sempre confiou em seu trabalho como relojoeiro e como ourives. “Agradeço, porque desde que eu cheguei aqui em Arcos a população me recebeu bem, e eu continuo até hoje tendo a confiança de todos os arcoenses”.