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Diabetes: como deve ser o acompanhamento?

Publicado em: 26 de outubro de 2020 às 09h13
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 17/10/2020) - Edição 2073

Dr. Tarcísio Silva

O tratamento do diabetes depende de três fatores: alimentação adequada, exercícios físicos e uso de medicações apropriadas. Cada paciente vai receber uma orientação própria para seu caso quanto a esses três fatores. Com o tempo, podem ser necessários ajustes na dieta, no tipo de exercícios físicos e na medicação utilizada. Portanto é muito importante a realização de controles clínico e laboratorial periodicamente, para ajuste do tratamento. O portador de diabetes nunca pode acreditar que, se não estiver sentindo nada de ruim, o controle está, portanto, indo bem. Durante as consultas, o paciente será questionado sobre seus sintomas, examinado e exames específicos mostrarão se o controle está adequado ou não.

A seguir estão alguns parâmetros que são utilizados para avaliar como está o controle do diabetes e o tipo de mudança no tratamento necessário.

. Glicohemoglobina: exame de sangue que avalia como ficou o controle do diabetes nos últimos três meses. O valor ideal depende da idade e das condições gerais de saúde do paciente. Em adultos, valores abaixo de 7 indicam um perfeito controle do diabetes nos últimos 3 meses.

. Testes de glicemia capilar: são testes realizados em casa, utilizando pequenas amostras de sangue coletadas na ponta dos dedos e um aparelho chamado glucosímetro. Atualmente existem aparelhos modernos que dispensam picadas frequentes para coleta das amostras, sendo mais confortáveis para o paciente. Os testes de glicose são importantes para ajustes de doses de insulina e para alertar o paciente quanto à necessidade de medidas de proteção contra hipoglicemias ou aumentos exagerados de glicose no sangue.

. Dosagem de microalbuminuria: exame que mostra lesões nos rins provocadas pelo diabetes. O diabetes mal controlado é uma das principais causas de necessidade de hemodiálise. Esse exame ajuda na detecção de alterações iniciais nos rins, permitindo um tratamento precoce.

 


. Fundo de olho: deve ser realizado anualmente com médico oftalmologista. Ajuda na detecção precoce de lesões na retina, a região dos olhos que ajuda na formação das imagens. A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira e pode ser prevenida com a detecção precoce e tratamento adequado do diabetes.

. Avaliação cardiológica: acompanhamento da pressão arterial é obrigatório em todo diabético; exames periódicos de eletrocardiograma, teste ergométrico, ecocardiograma de esforço e cintilografia podem ser necessários. O tipo de exame vai depender de vários fatores, sendo, portanto individualizado. Essa avaliação visa a detecção precoce de alteração nas coronárias, permitindo a prevenção de angina, infarto do miocárdio e mesmo o AVC.

. Exames metabólicos: dosagem de colesterol, triglicérides, ácido úrico, avaliação do fígado, deficiência de vitaminas, dentre outros, são necessários periodicamente. A frequência vai depender de cada paciente.

. Rastreamento para doenças autoimunes: realizado apenas nos portadores do diabetes tipo 1, chamado diabetes autoimune. Nesses pacientes é mais frequente o aparecimento de outras doenças autoimunes, como doenças da tireoide, vitiligo, adrenais (doença de Addison), anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12), reumatismos, dentre outros.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468