Vende-se Apartamento

Tragédia anunciada

Publicado em: 16 de dezembro de 2019 às 08h46
Coluna Esporte

Crédito: Reprodução/TV Globo

Tragédia anunciada

(Artigo publicada pelo Jornal CCO impresso em 14/12/2019) - Edição 2031

Marlon Santos

ALÔ, ARCOS! Como era de se esperar, o Cruzeiro decretou seu rebaixamento para a segunda divisão do campeonato do próximo ano. O torcedor coerente sabia que esse fato seria confirmado em questão de tempo, afinal, o caminho era justamente a ‘segundona’. Uma sucessão de erros levou o Cruzeiro para a famigerada segunda divisão e agora é o momento de repensar o futuro do time celeste.

A queda cruzeirense tem muito a ver com a má gestão atual de Wagner Pires de Sá, mas as gestões passadas também têm boa parcela de responsabilidade. Com a desmontagem do elenco bicampeão, vieram as contratações de reposição, o fracasso das mesmas e também as dívidas. A má gestão foi acompanhada de um cenário político conturbado e iniciado a partir da última eleição presidencial, em outubro de 2017. Aliados durante a campanha, Wagner Pires de Sá e Gilvan de Pinho Tavares – antecessor no cargo – romperam logo após o pleito, principalmente por causa da confirmação de que Itair Machado assumiria o futebol. O extracampo mostrou-se conturbado desde 2017, mas esportivamente o Cruzeiro também tomou atitudes que contribuíram para sua queda. Cinco treinadores comandaram a equipe no Brasileiro, sendo um interino, Ricardo Resende, no empate com o Avaí por 2 a 2, em Santa Catarina. Outros quatro tiveram mais tempo de trabalho. Mano Menezes foi quem iniciou a campanha da queda. Foram 10 pontos conquistados em 39 disputados, ou 13 jogos. O aproveitamento foi de 25,6%. O técnico bicampeão da Copa do Brasil foi demitido após a derrota por 1 a 0 para o Internacional, no Mineirão, pela semifinal da Copa do Brasil. Nesse momento, o time já havia sido eliminado nas oitavas de final da Libertadores, para o River Plate, da Argentina. O substituto foi Rogério Ceni, que conquistou oito pontos em 21 disputados. O aproveitamento foi de 38,09%. A saída ocorreu após o empate sem gols com o Ceará, no Castelão. Para contornar o ambiente ruim, a diretoria do clube apostou em Abel Braga, que não conseguiu tirar o Cruzeiro da situação. Foram três vitórias, três derrotas e oito empates. Aproveitamento de 40,47%.

A última cartada para tentar dar vida nova ao Cruzeiro foi contratar como jogador, Adilson Batista, ídolo cruzeirense, e que, como treinador, levou o time à final da Libertadores de 2009. Por tudo que o Cruzeiro passou e ainda passa, o clube mineiro terá um grande desafio pela frente, visando reconstrução administrativa, financeira e esportiva. O ano de 2020 está chegando e é preciso começar a planejar logo, pois a ‘segundona’ agora é uma realidade.

 

Alguns detalhes administrativos que contribuíram para o rebaixamento do Cruzeiro:

Logo após o rebaixamento inédito do Cruzeiro para Série B do Brasileiro, o gestor de futebol e presidente do conselho deliberativo, Zezé Perrella, foi aos microfones e disse que existe a comprovação de compra de conselheiros, por parte da gestão do presidente atual, Wagner Pires de Sá. Veja alguns trechos da entrevista coletiva de Perrella:

*Segundo Perrella, 55 conselheiros foram comprados em troca do pagamento dos condomínios pela atual gestão. Entretanto, nenhuma punição se tornou pública com esse fato.

*Um dos fatores para o aumento dos custos do Cruzeiro foi o inchaço da folha salarial cruzeirense, principalmente na parte administrativa. Zezé Perrella questionou o aumento realizado na gestão e disse que haverá uma diminuição significativa, de quase metade do quadro atual.

*Contratos longos a jogadores com idade avançada. Por exemplo, comprou Fred com o risco de pagar R$ 10 milhões ao maior adversário (Atlético-MG), por vaidade de ter o jogador aqui. A diretoria que concordou com isso.

*Segundo Zezé Perrella, o clube ainda realizou contratos com aumentos de salários de acordo com o rendimento dos atletas, o que onerou ainda mais a folha.

* Jogadores de categoria de base com contrato assim: se ficasse uma vez no banco passava de R$ 30 mil para R$ 60 mil. Se ficasse duas, passava para R$ 80 mil. Sem nem jogar no time principal. E se ficasse no banco mais algumas vezes, passava para R$ 120 mil.

*Perrella também disse que o clube tem custo elevado com emprestados: cerca de R$ 1 milhão. E citou o exemplo do volante Bruno Silva. Além disso, revelou que o clube tem R$ 46 milhões em dívidas com intermediários.

*Rebaixado pela primeira vez para a segunda divisão, o Cruzeiro enfrentará, em 2020, um dos descensos mais difíceis da história moderna do futebol brasileiro. Ao mesmo tempo em que acumula dívidas, o clube mineiro terá de ajustar as suas contas com um faturamento consideravelmente mais baixo. Resultado da gastança e da irresponsabilidade que marcaram a administração de Wagner Pires de Sá, presidente, e Itair Machado, agora ex-vice-presidente de futebol.

Coluna Esporte por Marlon Santos

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