Império Rural

A ver navios: como Minas comprou, mas não levou seu pedaço de litoral

Debates sobre reativação da ferrovia Bahia-Minas trazem à tona a história da compra pelo estado de 12km de saída para o Atlântico no sul do território baiano

Publicada em: 26 de outubro de 2021 às 10h19
Estado de Minas Gerais

Crédito: Beto Novaes/EM/D.A Press - 19/7/15

A ver navios: como Minas comprou, mas não levou seu pedaço de litoral

Pelos termos da aquisição de 12 quilômetros nas laterais da estrada de ferro até o oceano, parte da faixa litorânea na cidade baiana de Caravelas pertenceria a Minas Gerais.

Uma história iniciada no período imperial, quase oito anos antes de dom Pedro II (1825-1891) deixar o trono e o Brasil, ainda desperta paixão, curiosidade e, principalmente, interesse por um desfecho. Minas já teve uma saída para o mar, pagou por isso e não levou. Por quê?

Tudo começou há 140 anos, atravessando décadas sem resposta e sempre trazendo à tona a compra de uma faixa de terra de 12 quilômetros de largura por 142 quilômetros de extensão no extremo Sul da Bahia, que acompanhava o leito da antiga Companhia de Estrada de Ferro Bahia-Minas, depois hipotecado ao Banco de Crédito Real do Brasil para contração de empréstimo. A história da ferrovia – e, por extensão, do mar de Minas – volta à tona com os debates recentes sobre a reativação dos 600 quilômetros de trilhos, na Assembleia Legislativa.

Os recursos viriam do acordo judicial a ser fechado devido ao rompimento da Barragem do Córrego do Fundão (2015), em Mariana, na Região Central do estado .Voltando à história do litoral mineiro, da compra de terra e da hipoteca: já no período republicano, quando houve a liquidação forçada do Banco de Crédito Real, Minas adquiriu os terrenos por 300:000$000 (trezentos contos de réis, valor aproximado hoje de R$ 36 milhões). Mas, apesar do negócio pago em títulos da dívida pública, o mar nunca banhou o mapa do estado. O tempo passou e os mineiros ficaram a ver navios – e bem de longe, pois o Oceano Atlântico só aparece mesmo, nessa história, nas viagens de férias e de feriados prolongados.

Fonte: Jornal Estado de Minas