Vende-se Apartamento
Inadimplência de janeiro a julho de 2018

Mais de 13 mil consumidores somam dívida superior a R$11 milhões em Arcos

Publicada em: 12 de setembro de 2018 às 09h40
Arcos
Economia

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 08/09/2018) - Edição 1965

Com os baixos salários pagos a boa parte dos trabalhadores brasileiros, atrasos de pagamento e, num quadro ainda mais complicado, o desemprego, a inadimplência acaba se tornando frequente. Também não se pode desconsiderar aqueles consumidores que, tendo ou não dinheiro, adquirem produtos e serviços descontroladamente e não se preocupam em quitar as dívidas.

De acordo com divulgação da Agência Brasil, feita no dia 16 de julho, no primeiro semestre do ano a inadimplência em todo o país atingiu 63,6 milhões de consumidores, o que equivale a 42% da população adulta brasileira, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Neste ano de 2018 a inadimplência teve um crescimento de 4,07% em comparação ao mesmo período do ano de 2017. Frente ao mesmo período do ano passado, a região Sudeste do Brasil teve um aumento de 9,88%. A região que concentra o maior número de inadimplentes no país, de forma proporcional, é o Norte, com 5,79 milhões de consumidores, que juntos, somam 48% da população adulta residente.

Mais de 13 mil registros só em 2018 (até julho)

O Jornal CCO entrou em contato com a Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Arcos, em busca de números referentes à inadimplência no município. A ACE informou que em relação às empresas associadas, o total de registros ativos no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e no Cheque Lojista, até julho deste ano, foi de 13.301. Os registros são referentes a pessoas físicas e jurídicas. O valor total dessa inadimplência foi pouco mais de R$11 milhões (R$11.235.432,22), o que dá uma média de R$844,70 por pessoa.

Somente neste ano de 2018, até o mês de julho, foram pagos ou renegociados 814 registros, o que equivale a mais de R$19 milhões (R$19.170.640,70) que foram recuperados com a regularização das dívidas. Com isso, segundo a ACE, foram pagos uma média de R$23.551,15 por cada pessoa física ou jurídica que estava no registro.

De janeiro a julho de 2017, estavam ativas no SPC e no Cheque Lojista, 1.719 pessoas, que juntos somavam uma dívida de R$9,5 milhões. Deste valor foram quitados R$6,3 milhões, restando assim um débito de R$3,2 milhões. Já em 2018, em comparação ao mesmo período (janeiro a julho), o número de pessoas ativas (1.680) era menor que o de 2017, porém, a soma da dívida de todos os ativos era maior que a do ano anterior (R$18,3 milhões). De acordo com a ACE, desse valor já foram quitados R$16,2 milhões, ficando ainda o débito de R$2,1 milhões.

Em todo o ano de 2017 foram registrados 16.161 inadimplentes, o que gerou uma dívida no valor de R$30.432.444,24 milhões. De todos esses registros, 4.110 foram quitados, diminuindo assim R$16,2 milhões da dívida.

A ACE tem 345 associados, entre comerciantes em geral, indústrias e cooperativas de crédito.

 

Micro e pequenas empresas são mais afetadas com a inadimplência

Pedro Henrique Soares Branco, do Departamento Financeiro da ACE, disse que o comércio tem enfrentado muitos problemas com a inadimplência, porque alguns comerciantes têm encontrado dificuldades no acesso a clientes, na busca dos mesmos pela regularização.

De acordo com a Associação Comercial e Empresarial, mesmo havendo um alto número de inadimplentes, a maior parte deles tem buscado a regularização de seus nomes. E isso acontece principalmente pelo fato de ter empresas e profissionais que utilizam estratégias para levar o cliente a essa regularização. “Apesar da melhora, ainda é necessário mais procura dos clientes para quitação ou renegociação”, explica.

Pedro Branco ressalta que as “micro” e as pequenas empresas são extremamente prejudicadas com a inadimplência. “O capital de giro fica numa situação complicada, tanto quanto o capital de investimento”, explica.
Em nível nacional, de acordo com o SPC Brasil, as dívidas bancárias – cartão de crédito, cheque especial, financiamento e empréstimos – foram as que apresentaram a maior alta em junho de 2018, com crescimento de 7,62% em comparação com o mesmo mês de 2017. Em segundo lugar estão as contas básicas como água e luz, com alta de 6,69% nos atrasos. Uma reportagem da Agência Brasil relata que mais da metade das dívidas pendentes de pessoas físicas (51%), tem como credor algum banco ou instituição financeira. A segunda maior representatividade fica por conta do comércio, que concentra 18% do total de dívidas não pagas, seguido pelo setor de comunicação (14%).