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Sr. Severino foi o responsável por trazer para Arcos a primeira autoescola

Publicada em: 03 de abril de 2019 às 10h08
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 29/03/2019) - Edição 1994

Motorista de profissão (aposentado) e um ótimo conselheiro. Severino Batista de Macedo, de 93 anos, foi um dos primeiros instrutores de direção veicular em Arcos e o responsável por trazer a primeira autoescola para o município.

É natural de Pimenta e foi casado com Zélia Macedo Diniz (in memoriam), com quem teve cinco filhos: Davi, que é advogado; Daniel (in memoriam); Darci, professora aposentada; Sandra e Sônia (donas de casa). Ele também tem cinco netos e um bisneto.

Em entrevista ao Jornal CCO, Sr. Severino contou que nasceu na “beira da Serra”, em uma roça chamada Quilombo, na cidade de Pimenta/MG. Depois morou na comunidade de Calciolândia em Arcos, onde trabalhou como motorista na Samigue (Indústria São Miguel de Produtos Alimentícios S.A.), durante 20 anos. Na empresa se produzia leite em pó e manteiga.  

Cerca de 2 mil alunos

Sr. Severino também trabalhou como motorista na empresa Lafarge. Na época, em suas horas vagas e durante as férias, ele era instrutor de direção veicular. Dava aulas práticas, de legislação, primeiros socorros e direção defensiva. Depois de aposentado, continuou lecionando. Fez o curso de instrutor em Belo Horizonte e ao longo de sua carreira, ensinou direção a aproximadamente 2 mil pessoas. Teve alunos inclusive do Rio de Janeiro e de Brasília, e de várias cidades vizinhas de Arcos.  

Sr. Severino conta que foi o primeiro a trazer a banca examinadora de Belo Horizonte para Arcos e também o responsável por trazer a primeira autoescola ao município. Ele não chegou a trabalhar na autoescola, mas como forma de ajudar, sempre que possível, encaminhava alunos. Ele se entusiasma quando fala de sua profissão. “É a coisa que a gente ama, o dom que a gente tem. Minha profissão é motorista, então eu acabei passando a ensinar essa turma toda aqui de Arcos”.

Respeito, educação e honestidade

Sr. Severino nasceu em 15 de fevereiro de 1926, uma geração que, segundo ele, estava bem mais atenta a valores como educação, respeito e honestidade, em comparação à atualidade. “Se um filho ia sair pra fazer qualquer coisa, ele pedia bênção para a mãe. Hoje em dia, quando fala tchau já está bom. As minhas irmãs, por exemplo, elas saíam às 18h e lá pelas 20h estavam em casa, porque tinham respeito. Hoje não está havendo mais sinceridade, não está havendo mais respeito”, comentou.

Em relação à política, disse que a corrupção naquela época poderia até existir, mas era tudo bem escondido, não era como hoje. Para ele, os dois melhores presidentes do Brasil foram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Já em Arcos, disse considerar como os melhores prefeitos: Paulo Marques, Edgar de Faria, Olívio Guimarães de Faria (Zizo) e Plácido Vaz.

 


“Abracem suas mães, considerem suas mães, beijem suas mães [...]”

Aos 93 anos, Sr. Severino fica mais em casa. Sai às vezes com os filhos e sempre que pode vai à igreja em que congrega, a Presbiteriana do Brasil. Disse que se sente muito bem e que esse bem-estar é o resultado de uma vida entregue e dedicada a Deus. “Toda vida eu tive o meu coração com o Espírito de Cristo, e isso é muito importante. Se eu saio da porta pra fora eu digo: Pai, estou nas mãos do Senhor, me livra de todo mal e de todas as tentações”.

Com a experiência de vida que carrega, ele gosta de dar conselhos para os jovens, lembrando que quando era novo, sempre procurava conversar com pessoas mais velhas, para escutar seus ensinamentos. Para os jovens de hoje, orienta sobre a importância de cuidarem de seus pais: “Abracem suas mães, considerem suas mães, beijem suas mães, porque mãe é só uma. Um filho que é bom para uma mãe, ele vai ser feliz. E assim também com o pai”.

Ele finalizou fazendo várias reflexões sobre a vida. Em uma delas, ressaltou a importância das pessoas se educarem e terem domínio sobre suas palavras, para não fazerem mal a elas mesmas e aos próximos. “A melhor peça que Deus colocou em nosso corpo e também a pior, é a língua. A língua é assassina; ela mata, ela destrói. Uma palavra destrói um lar, ela gera fofoca, ela mente. Você tem que educar a língua. É sim, sim; ou não, não”.



“A língua é assassina; ela mata, ela destrói. Uma palavra destrói um lar, ela gera fofoca, ela mente. Você tem que educar a língua. É sim, sim; ou não, não”.