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Justus transborda alegria no Lar Pousada dos Bertos, seu Hotel 5 estrelas

Publicada em: 06 de novembro de 2019 às 10h11
História de Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 02/11/2019) - Edição 2025

Com gentilezas, sorrisos e seu famoso bordão “Jêsuuus”, Antônio Francisco da Silva (Justus), de 64 anos, recebeu a reportagem do Jornal e Portal CCO em seu lar, o Asilo Pousada dos Bertos.

Sim, para ele, o Asilo Pousada dos Bertos é como um lar, ou melhor, um hotel cinco estrelas, onde todos os assistidos são muito bem cuidados. Disse que se mudou para lá por sua própria escolha. Depois de uma queda que prejudicou a coluna, ele ficou acamado e foi necessário pagar enfermeiras domiciliares mensalmente. Devido a essa e outras questões de saúde, achou melhor receber os cuidados no asilo. Hoje, Justus gosta tanto de morar lá, que não quer mais sair. “Foi uma bênção ter vindo pra cá! Hotel cinco estrelas!”, comentou, sorrindo.

Nosso entrevistado disse que se sente muito bem cuidado e recebe o carinho da equipe do Asilo e de todas as pessoas que vão visitá-lo. Também comentou que antes não se alimentava corretamente, o que mudou completamente depois que está na instituição, onde ganhou 17 kg. Fez elogios às refeições, dizendo que são saborosas e saudáveis.

Justus foi casado por 33 anos com a professora Cléber Maria Lopes da Silva, com quem teve dois filhos: a fisioterapeuta Clebiana Lopes Nadir e Marcos Antônio Lopes da Silva. Ele fala com orgulho dos filhos e dos netos, Yasmin, de 8 anos e Felipe, de 5 anos.

Clebiana Nadir disse ao CCO que quando a mãe dela faleceu, em 2013, toda família ficou abalada. Ela então se tornou responsável pelo seu irmão, que tem problemas mentais moderados, e por seu pai, que é aposentado por invalidez desde os 35 anos, devido ter sido acometido de uma artrite. Para cuidar da doença, Justos precisou iniciar tratamento com um medicamento que foi muito eficaz para evitar o travamento das articulações, porém, o efeito colateral do remédio afetou o coração. Ele começou a ter problemas cardíacos e foi submetido a uma cirurgia para trocar a válvula do coração. No pós-operatório, ainda no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), ele sofreu um ACV (Acidente Vascular Cerebral), o que comprometeu ainda mais suas limitações físicas.

“Vendo as dificuldades do dia a dia e a alta dependência de terceiros, meu pai me propôs ir para o Lar Pousada dos Bertos [...]. Diante dos fatos, entramos em contato com a Sociedade São Vicente de Paulo em Arcos, apresentamos os exames necessários e pleiteamos uma vaga, que foi liberada após um curto espaço de tempo, proveniente do falecimento de um interno”.

Segundo Clebiana, com a permanência no asilo ele apresentou melhoras físicas e psicológicas. Passou a se alimentar nos horários corretos, ganhou peso e começou a ter várias pessoas com quem conversar, o que ele gosta muito de fazer. “Para atrair mais visitas e ter com quem conversar, sempre me pede para levar balas e deixar no quarto dele; ele as utiliza para agradar quem o visita”, contou.

Clebiana disse que ela, o marido e os filhos vão visitá-lo quatro vezes por semana e que sempre observam o quanto ele é bem cuidado e o quanto gosta de estar lá. “Gostaria de registrar que a Casa de Repouso é um local excelente”.

 

Justus e funcionárias do Asilo Pousada dos Bertos

 

Dedicação a Arcos

Justus foi um homem muito ativo na comunidade arcoense. Ele conta que estudou até a 8ª série (9° ano) e que seu primeiro emprego foi como balconista de um Armazém no bairro Brasília. Também trabalhou no Bar do Sinico em 1975 e depois no Bar Zero Hora.

De 1978 a 1983, trabalhou na Casa de Hóspedes da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que era onde é atualmente o Hospital Municipal São José. Começou como garçom e depois se tornou gerente da Casa de Hospedes. Também chegou a trabalhar como garçom para a ex-prefeita Hilda Andrade, na fazenda, onde serviu a Newton Cardoso (32° Governador de Minas) e Trancredo Neves.

De 1984 a 1988, trabalhou no polo de vendas da Camig, que ficava na rua Capitão José Apolinário. Vendia adubos, ração e outros produtos. Quando a empresa fechou, ele passou a trabalhar como cobrador de ônibus. Aos 35 anos, aposentou-se por invalidez.

Justus chegou a ser presidente do Lions Clube, de 1982 a 1984. Também foi vicentino. Contou que chegou a fundar duas conferências da Sociedade São Vicente de Paulo: “Fundei duas conferências da Sociedade São Vicente de Paulo, uma de nome Santo Antônio e outra de Nossa Senhora Aparecida. Hoje é uma só, uniu as duas e até hoje é Conferência de Nossa Senhora Aparecida, onde são realizadas reuniões todas as quintas-feiras”, disse. Depois da Conferência ele foi para a Maçonaria, onde ficou por quatro anos.